Cotidiano

Sem viatura no Samu, idoso morre depois de 8 horas de espera

Coordenador do Samu justifica 'explosão' de ocorrências

Midiamax Publicado em 26/09/2016, às 14h27

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Coordenador do Samu justifica 'explosão' de ocorrências

Problema de falta de vagas em hospitais é uma das principais reclamações da população que depende do serviço de saúde pública em Campo Grande, mas esse não é o único empecilho. Nesse domingo (25) um idoso morreu depois de esperar mais de oito horas por uma ambulância equipada que pudesse levá-lo do CRS (Centro Regional de Saúde) Aero Rancho para o Hospital Universitário, onde ele seria atendimento mesmo com vaga zero.

Conforme relato de familiares, Libertino Luiz de Moura, de 79 anos, chegou ao CRS Aero Rancho – Dr. João Pereira da Rosa, levado por um táxi, pois, não havia ambulância no momento em que se sentiu mal. O paciente estava com princípio de infarto.

A neta, Rosana Moura, de 25 anos, diz que o avô foi bem atendido no local, no entanto, logo no início do atendimento a família foi informada de que seria necessário transferi-lo.

O médico conseguiu, por meio do serviço de regulação, que o paciente fosse recebido no Hospital Universitário, porém, naquele momento o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) não disponibilizava de viatura para realizar o transporte.

Rosana conta que foram mais de oito horas de espera e de trabalho de respiração manual, além de quatro paradas cardíacas até que a viatura fosse disponibilizada, no entanto, o paciente não resistiu e morreu antes do transporte chegar ao CRS.

"Estamos indignados porque o médico disse desde o início que devido ao estado de saúde  meu avô não poderia continuar ali. Precisava ser transferido. Ele teria chances de ter sobrevivido se fosse transferido no momento certo. Foi vítima da falta de estrutura da saúde pública. Esperamos que isso não aconteça com outras pessoas", declara.

Coordenador do Samu, Djalmir Seixas César, explica que nesse domingo houve concentração de ocorrências no período vespertino e que as três viaturas alfas, que funcionam como UTIs  (Unidades de Tratamentos Intensivos) móveis e as sete ambulâncias básicas, usadas em casos de menor complexidade, estavam em atendimento. 

"Nosso número de ambulâncias está de acordo com o que normatiza o Ministério da Saúde, inclusive, temos uma alfa a mais. Ontem tivemos uma concentração muito grande de ocorrências à tarde e em situação explosiva é quase impossível oferecer resposta a curto prazo. Temos cinco médicos na regulação e houve momentos em que precisamos deslocar uma médica para atendimento. Da meia noite de sábado até meia noite de domingo atendemos 110 ocorrências clínicas e 133 atendimentos primários. São mais de duas mil ocorrências atendidas pela regulação todos os dias", justifica.

Ainda de acordo com o coordenador do Samu, a primeira ligação feita pela família do paciente foi registrada às 13 horas, porém, não havia ambulância disponível e com base nas informações repassadas ao médico regulador, a orientação foi de que o paciente fosse conduzido por meios próprios.

O segundo chamado registrado pelo Samu foi feito do CRS às 15h23. Às 16h08 a central de regulação conseguiu o encaminhamento para o Hospital Universitário, mas ainda não havia viatura disponível. De acordo com o coordenador do Samu a ambulância chegou no CRS às 21h45, quando o paciente já estava em óbito.

Questionado se o idoso poderia ter sido transferido de outra maneira, Seixas ressalta que devido ao estado de saúde, o transporte do CRS ao hospital teria de ser realizado pela viatura alfa, que é composta por um médico, um enfermeiro e um socorrista. 

"Tudo o que nos compete em caráter de urgência foi feito, mas a questão da demanda está fora do nosso controle. Estamos trabalhando com capacidade plena, o ideal seria trabalhar com prevenção, mas esse é um problema nacional. Estamos fazendo simulações e ações a fim de tentar amenizar isso", assegura.

Ao Jornal Midiamax a assessoria de comunicação da Sesau (Secretaria Municipal de Saúde Pública) afirma que em casos de óbito ou qualquer atendimento que suscite dúvidas em sua qualidade de aporte aos paciente, a Secretaria realiza uma sindicância para apuração dos fatos. Em nota, a assessoria também lamenta o fato e garante que prestará  todas as informações que os familiares julgarem necessárias.

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