Mais de 250 policiais e homens da Guarda participam da remoção

A incerteza sobre o novo endereço provocou revolta em algumas famílias da Cidade de Deus na manhã desta segunda-feira (7). Equipes da Emha (Agência Municipal de Habitação de ), SAS (Secretaria Municipal de Assistência Social) e Sesau (Secretaria Municipal de Saúde Pública), estão no local para fazer a transferência, no entanto, sem saber para onde serão levados, os moradores prometem resistir.

“Não entendo porque estão fazendo tanto segredo. Não é humano tirar a gente de um lugar e levar para outros se nem sabemos para onde vamos. Estamos preocupados não sabemos se é perto daqui e nossas crianças já estão matriculadas nas escolas e creches. Se não falarem logo, vamos resistir”, afirma Edileuza Luiz, de 37 anos. 

No VÍDEO gravado pela equipe de reportagem do Jornal Midiamax, a freira Delair Orias Castilho, que administra uma escola que atende 120 alunos da favela, também se preocupa com a remoção das famílias. 

“Não sou contra a reintegração porque se é lei tem de ser cumprida, mas não poderia ser desta forma. Eles estão sendo tratados como animais. As crianças estão vendo suas casas sendo desmanchadas e ainda não têm nada no lugar para onde serão levadas, nem sabem para onde vão. E se chover como vão fazer? Só receberam lona e não são conhecidos na nova vizinha”, lamenta.

 

 

Um acampamento da Guarda Civil Municipal foi montado na entrada da favela. Ao todo, 270 guardas e policiais militares estão no local para garantirem a segurança na remoção das famílias. O diretor-presidente da Emha, Dirceu Peters, também está no local e acompanha a remoção. Ele afirma que hoje os moradores vão receber alimentação e que nesta terça-feira (8), a Prefeitura vai disponibilizar cesta básica. 

Peters observa que conforme o levantamento feito por equipes da Emha, 390 famílias estão cadastradas e serão removidas. Já os demais moradores terão de deixar o local, no entanto, não serão levados para uma das três novas áreas. “Vamos aplicar a reintegração de posse. Os que estiverem aqui e não forem cadastrados terão de sair porque a ocupação é irregular”, explica. 

Nesta manhã, os moradores cadastrados receberam lona para que possam se instalar na nova área. Em dezembro de 2015, o diretor-presidente da Emha disse que as famílias iriam receber um lote de no mínimo 10 por 20, próximo da Cidade de Deus. Hoje ele informou que os terrenos terão metragens diferenciadas e a distribuição irá obedecer as informações contidas no cadastro. 

Peters informou ainda que as equipes da Secretaria vão ajudar a levantar os novos barracos. Conforme a assessoria de comunicação da Prefeitura, as famílias terão crédito no Banco Canindé para poder comprar materiais de construção para poderem construir casas de alvenaria. Ainda segundo as informações, o Município vai subsidiar os terrenos e o valor será dividido entre a Prefeitura e os moradores.