Cotidiano

Secretário falta e vira personagem ‘virtual’ em audiência das obras paradas

Ausência causou incômodo 

Clayton Neves Publicado em 07/04/2016, às 21h31

None
a2f109df-9b14-4247-b64a-28f65010559f.jpg

Ausência causou incômodo 

O secretário municipal de obras, Amilton Cândido, virou personagem imaginário durante audiência pública na Câmara de Vereadores na tarde desta quinta-feira (7). Uma cadeira vazia com uma placa, indicava lugar reservado para Amilton que não apareceu no encontro que debateu situação das obras públicas paralisadas na Capital.

Durante a fala, lideranças comunitárias faziam referências a cadeira vazia e criticavam a ausência do titular da Seintrha (Secretaria Municipal de Infraestrutura Transporte e Habitação). “A minha pergunta vai para o secretário. Opa, espera aí, ele não veio”, disse um morador enquanto apontava para a cadeira.

Esta é a segunda vez, somente nesta semana, que a prefeitura não envia representante. Ontem (6), o secretário municipal de segurança pública, Luidson Borges Tenório Noleto, não compareceu a audiência pública que debateu dificuldades dos servidores da Guarda Municipal.

No encontro de hoje, José Geraldo Jara, presidente do Conselho Regional da região do Segredo, expôs a demora na entrega das Ceinf's (Centros de Educação Infantil) dos bairros Talismã, Nascente do Segredo e Anache. Segundo ele, as construções estão paradas desde junho do ano passado.

“Enquanto o secretário falta a audiência e o prefeito só fala que é vítima de golpe, os usuários de droga estão tomando conta dos prédios que eles abandonaram”, afirma.

A liderança conta que até sobras de materiais de construções foram levados por vândalos na época em que a construção foi pausada.

Eder Carlos de Oliveira, presidente dos Bairros Oliveira 1 e 2, classificou a atual gestão como “uma verdadeira piada”. O líder comunitário relata que 95% da obra da UBSF (Unidade Básica de Saúde da Família) do Oliveira 2 está concluída, porém, até o momento, moradores da região precisam procurar atendimento em outros bairros.

“Tudo está parado há 4 anos e o que falta são apenas reparos. Isso é uma vergonha, não adianta começar a obra, usar dinheiro do povo e abandonar. Gostaria de dizer tudo isso para o secretário, mas infelizmente só tem a cadeira vazia aqui né”, desabafa.

De acordo com o propositor da audiência, vereador Chiquinho Telles (PSD), a mesa vai solicitar nova audiência pública com empreiteiras que prestam serviços à prefeitura, além disso, vão solicitar junto a Caixa Econômica Federal relatório detalhado de cada contrato da prefeitura.

Em novo encontro, a Câmara vai convocar o secretário Amilton Cândido para prestar esclarecimentos à Casa de Leis. Em último caso, Chiquinho revela que denúncia será feita ao MPF (Ministério Público Federal), já que diversas obras contam com verba do governo federal.

O gerente regional da superintendência regional da Caixa Econômica Federal ressaltou que atualmente dois grandes projetos estão viabilizados para Campo Grande. O primeiro, que já está em execução, soma R$ 311 milhões para serem usados em obras de pavimentação. O outro, de R$ 137 milhões, ainda aguarda licitação do Executivo e será investido em mobilidade urbana.

O gerente explica ainda que eventuais juros e aumentos no valor do contrato, motivados por atrasos e paralisações, são responsabilidade do Executivo. “Se o custo subir por causa de atrasos, a contrapartida fica por conta do município que deverá usar recursos próprios”, finaliza.

Entramos em contato com a Prefeitura para saber o motivo da ausência do secretários, porém, até o fechamento desta matéria não tivemos resposta. 

Jornal Midiamax