Cotidiano

Secretário diz que pacientes ‘armaram’ para reclamar de demora em UPAs

Pacientes estaria abrindo fichas em várias unidades

Kemila Pellin Publicado em 21/01/2016, às 09h00

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Pacientes estaria abrindo fichas em várias unidades

O Programa Enter Saúde, lançado pela Prefeitura de Campo Grande nesta quarta-feira (21), mas que já está implantado nas UPAs (Unidade de Pronto Atendimento) e CRSs (Centro Regional de Saúde) desde o último trimestre de 2015, flagrou pacientes tentando manipular o tempo de espera por atendimento nas unidades de urgência e emergência, para 'desconstruir' a imagem do Executivo.

Segundo o secretário de Saúde, Ivandro Fonseca, existe denúncia de que pacientes estão entrado em algumas unidades, solicitando a abertura de fichas e depois indo embora sem ao menos passarem pela triagem. “O sistema está demonstrando que o paciente abriu a ficha às 10 horas, foi chamado às 10h25 e ele não estava na unidade. Depois esse mesmo paciente procurou outra unidade, abriu outra ficha às 12 horas, 12h30 foi chamado e não estava na unidade novamente”, revelou.

​Ivandro ainda afirmou, que isso pode está diretamente ligado as denúncias de longas esperas por atendimento. “Então tem algumas pessoas que estão fazendo a abertura de fichas e depois ligam para imprensa para falar que estão à 10 horas, 8 horas esperando por atendimento”, reforçou.

O responsável pela pasta afirmou que vai tomar todas a providências cabíveis em relação a estes pacientes, mas não detalhou qual seriam essas providências. “Nós pegamos um paciente que passou por várias unidades nossas só para abrir ficha. Isso é muito grave e nós vamos tomar as providências cabíveis”, destacou.

O programa Enter Saúde deve organizar as escalas de plantões dos médicos da rede pública, com a intenção diminuir as falhas no atendimento e monitorar o tempo de espera e permanência dos pacientes em cada unidade. 

Ele é composto por quatro fases. A primeira, que começou a ser implantada em outubro de 2015, deve ser concluída até maio. “Em outubro instalamos o sistema na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Coronel Antonino, que atualmente é responsável pela maior demanda de pacientes da Capital, e na UPA Universitário. Em novembro foi expandido para a unidade da Vila Almeida e dezembro para todos os CRS (Centro Regional de Saúde). Neste mês serão implantados em 60 unidades e até o final de fevereiro nas outras 40”, detalhou Ivandro.

Na sequencia serão instalados a agenda online, para que pacientes consigam marcar as consultas pela internet, e o sistema que vai permitir ao poder público auditar o trabalho dos servidores e o atendimento dos pacientes, desde o tempo de espera até a internação. 

Inicialmente o programa Enter Saúde deve organizar as escalas de plantões dos médicos da rede pública, com a intenção diminuir as falhas no atendimento e monitorar o tempo de espera e permanência dos pacientes em cada unidade.

Outro lado

Com dores por causa de uma infecção, a dona de casa Maria Auxiliadora, de 53 anos, precisou esperar 10 horas para receber atendimento médico no CRS (Centro Regional de Saúde) do Bairro Guanandi nesta segunda-feira (18). A diarista diz ter chegado no posto às 6h45 e mesmo depois de reclamar várias vezes só foi atendida as 16h40. “Consegui ser atendida porque briguei e falei que tinha chamado a imprensa porque não estava mais aguentando parar em pé”, conta.

Além dela, denúncias de demora no atendimento na rede pública de saúde tem sido recorrentes. A epidemia de dengue na cidade aumentou a demanda nos postos, ampliando a carência de profissionais. 

Jornal Midiamax