Cotidiano

“Se não encher, não é o Pantanal”, diz ribeirinho sobre o Rio Aquidauana

Nível do rio já passou dos 9 metros nesta quinta-feira

Wendy Tonhati Publicado em 14/01/2016, às 16h25

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Nível do rio já passou dos 9 metros nesta quinta-feira

A cidade de Aquidauana, a 143 quilômetros de Campo Grande, vive a maior enchente desde 2011, quando o rio com o mesmo nome, chegou a quase 11 metros. Mesmo com a possibilidade do rio continuar subindo (neste momento está em 9 metros), a maioria dos ribeirinhos não pensam em deixar o local. Por conta da segurança, 80 famílias foram removidas para uma escola da cidade. 

O construtor Orlando Pereira Rodrigues, 45 anos, mora há 18 anos em Aquidauana. A água não invadiu a casa dele, mas já chegou na varanda. Segundo ele, há quatro dias, o rio não para de encher e ele teve de subir os armários, freezer, e guarda-roupas. Ele confirma que está não é a pior cheia, que as 1990 e 2011 foram piores, quando a água chegou no degrau da casa, mas mesmo assim, não entrou no imóvel. 

Rodrigues diz que a cheia é normal e que os pantaneiros estão acostumados. “Essa cheia é normal. É natural para quem mora no Pantanal. Se o Pantanal não encher, não é o Pantanal”. Por precaução, a mulher e o filho de 5 anos estão na casa do sogro, enquanto ele cuida da casa e do nível do rio. 

Por conta da cheia do rio, ele não consegue mais chegar de carro em casa. Deixa o carro estacionado na rua e vai de barco para casa. “Quando me mudei já sabia disse e comprei barco, motor. Nessas horas, não estaciona o carro, estaciona o barco na garagem”, brinca. 

O motorista Erasmo Campos, de 36 anos, trocou Pernambuco por Aquidauana há 25 anos. A casa dele não foi atingida pela enchente, mas mesmo assim, ele teme pelos outros moradores. “Há três anos que não enche assim e fico preocupado principalmente com as pessoas que moram perto do rio”. 

O prefeito de Aquidauana José Henrique Trindade disse ao Jornal Midiamax que pelo menos 80 famílias foram afetadas pela enchente e que a maioria é de ribeirinhos que preferem continuar morando perto do rio, mesmo a prefeitura já tendo oferecido auxílio para a remoção. 

Jornal Midiamax