Cotidiano

‘Pau na gata’: trabalhadores paralisam canteiros, criticam terceirização e ameçam greve

 Caso reivindicações não sejam atendidas, categoria deve decretar greve

Caroline Carvalho Publicado em 05/05/2016, às 12h03

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 Caso reivindicações não sejam atendidas, categoria deve decretar greve

Os trabalhadores da construção civil de Campo Grande paralisaram, novamente, os trabalhos por duas horas na manhã desta quinta-feira (5), na frente de um canteiro de obras na Rua Rio Grande do Sul, entre as ruas Quinze de Novembro e Sete de Setembro. O protesto é por reajuste salarial e contra a terceirização dos trabalhadores.

Desde a semana passada, os trabalhadores estão fazendo manifestações semelhantes, diariamente, em diferentes canteiros de obras da cidade. O objetivo, segundo o presidente do Sintracon (Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário de Campo Grande), José Abelha Neto, é alertar as autoridades para que ouçam as reivindicações da categoria que, caso não sejam atendidas, deve decretar greve.

“Todos os dias paramos uma hora por duas, três horas pra mostrar a nossa indignação e que podemos entrar em greve a qualquer momento. Se nós chegarmos até a próxima semana sem uma proposta real do patronato, podemos decretar a greve”, diz Abelha. Segundo ele, a categoria pede o reajuste salarial de 16,5% mais a correção inflacionária de 2015. Além disso, eles pedem a participação nos lucros e refeição gratuita nos canteiros de obra.

(Caroline Carvalho) No entanto, o sindicato alega que a classe patronal ofereceu reajuste de 8% na primeira mesa negociada e 9,5% na segunda. Os índices são bem menores que a inflação do período, que foi de 11,7%.

Conforme o Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Econômicos) o lucro do patronato aumentou cerca de 19% este ano em relação ao anterior, o que representa o dobro do oferecido aos trabalhadores em reajuste.

“Nós achamos que não podemos acertar nada abaixo da inflação, já que o trabalhador perdeu poder aquisitivo durante 2015 e 2016”, pontua o sindicalista. As manifestações devem continuar até finalizarem as negociações.   

A expressão 'pau na gata', usada pelo sindicato da categoria, é uma crítica aos empresários que terceirizam mão de obra, chamados de 'gata'. 

Supervisão: Aline Machado

Jornal Midiamax