Cotidiano

Fiscais da Agetran sabiam que ônibus mais novos foram tirados de circulação

Diretor da Agetran prometeu verificar falhas e multar empresa

Ludyney Moura Publicado em 29/02/2016, às 11h50

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Diretor da Agetran prometeu verificar falhas e multar empresa

Funcionários das empresas responsáveis pelo transporte coletivo urbano da Capital revelam que fiscais da Agetran (Agência Municipal de Transporte e Trânsito) têm conhecimento de que ônibus novos que deveriam estar em circulação, estão ‘escondidos’ nos pátios, supostamente desde o ano passado.

“A prefeitura não vai fazer nada porque ganha com os ônibus parados. Toda semana os fiscais vão na empresa e não fazem nada”, revelou um funcionário, que preferiu o anonimato. Ele ainda confirmou a ‘desculpa’ oficial da empresa, de que manter os carros novos parados ajuda a ‘economizar’.

Outro funcionário ouvido pela reportagem, e que também não quis se identificar por temer retaliação, revelou que os ônibus novos consomem praticamente o dobro de combustível. “Os carros mais antigos fazem quase 3 km por litro, esse articulados fazem 1,5km por litro, no máximo 1,8km por litro”, contou.

Com o preço médio do diesel, verificado pela reportagem nos postos da Capital, a R$ 3,39, e a informação repassada por funcionários de que cada ônibus roda em media 150 quilômetros por dia, faz com que os veículos mais antigos consumam, apenas de combustível, R$ 169,50 por dia, enquanto os articulados R$ 339, o dobro do valor.

Fiscalização

O diretor-presidente da Agetran, Elidio Pinheiro Filho, revelou ao Jornal Midiamax que depois das denúncias publicadas na semana passada, e após um pedido do prefeito Alcides Bernal (PP), o órgão está fazendo um levantamento sobre o cumprimento, por parte da concessionária do transporte coletivo, das obrigações contratuais em prol do usuário. 

“Se for constatada alguma falha, a fiscalização vai multar (empresa) e nós vamos acionar o consórcio (Guaicurus)”, promete Elidio.

Ele explica que toda linha tem uma ‘ordem de serviço’, documento no qual constam informações como o itinerário do carro, horários de paradas, tipo do veículo e condições de uso.

“Uma ordem de serviço de uma linha que atende 200 passageiros por hora, por exemplo, é diferente de outra que atende três mil passageiros por hora. Tudo é estabelecido em cima de critérios, é algo bastante técnico”, explicou o diretor da Agetran.

O levantamento sobre o cumprimento das ordens de serviço, disse Elidio, ficará pronto até o fim desta semana.

Reclamações

Com o preço da passagem em Campo Grande a R$ 3,25, os usuários do transporte coletivo reclamam da qualidade dos serviços prestados pelo Consórcio Guaicurus. Na última sexta-feira (26), a reportagem flagrou ônibus articulados estacionados nas garagens das empresas. Desde dezembro tais veículos estariam fora de circulação. 

No último final de semana, filas nos pontos, falta de veículos adaptados para cadeirantes e lotação também foram motivo de reclamação. A resposta dada pelo Consórcio, de que a baixa demanda e o custo de manutenção dos veículos impede as empresas de colocar os melhores carros em circulação não convenceu a população, que ainda sofre com lotação, atrasos e péssimas condições dos terminais.

Jornal Midiamax