Cotidiano

Depois de maus-tratos em Ceinfs, sindicato expõe denúncias de 2 anos atrás

Às vésperas de eleição, denúncias vieram à tona

Wendy Tonhati Publicado em 04/08/2016, às 14h23

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Às vésperas de eleição, denúncias vieram à tona

Depois das denúncias de maus-tratos em Ceinfs (Centros de Educação Infantil) de Campo Grande, o Senalba (Sindicato dos Trabalhadores em Entidades Culturais, Recreativas, de Assistência Social, de Orientação e Formação Profissional no Estado de Mato Grosso do Sul) reuniu a imprensa, na manhã desta quinta-feira (4), para informar sobre outras denúncias feitas por recreadoras e oficializadas no sindicato. Porém, os casos datam do fim de 2014 e começo de 2015. 

Conforme a presidente do sindicato, Maria Joana Barreto Pereira, os casos aconteceram nos Ceinfs Santa Edwiges, no Aero Rancho, e no próprio Ceinf Maria Cristina Ocáriz de Barros, alvo de problema recente. Questionada sobre o motivo das denúncias nunca terem vindo ao conhecimento da imprensa e só serem divulgadas pelo sindicato nas proximidades das eleições municipais, a presidente da entidade justificou a não divulgação dos casos, dizendo que as recreadoras tinham medo de sofrer perseguições e perderem o emprego e que “o sindicato não podia tornar os casos públicos, pois só age se provocado e quando é de direito do trabalhador”. 

Maria Joana ainda negou qualquer pretensão à Câmara Municipal, dizendo que “foi procurada por três partidos, mas não aceitou o convite. Questionada sobre as eleições municipais, o único nome citado pela presidente foi o de Marquinhos Trad (PSD) “Há um tempo atrás, precisamos de ajuda para uma recreadora que estava sofrendo perseguições em um Ceinf e quem me ajudou, foi o Marquinhos Trad”. O Jornal Midiamax tentou conversar com Maria Joana sobre a questão eleitoral, mas a assessoria jurídica do sindicato interrompeu as perguntas. 

Durante a entrevista, recreadoras disseram sofrer perseguições e que após a denúncia do vídeo gravado no Ceinf Maria Cristina Ocáriz de Barros, do Bairro Tijuca, elas estão proibidas de usarem o celular no expediente. Os aparelhos são colocados em uma caixinha e devolvidos ao fim do serviço. Entre os casos, há o de uma criança que teria sido molestada por um professor e outra, que foi obrigada a ingerir comida misturada com vômito. 

No primeiro Ceinf, as denúncias ocorreram no fim de 2014 e começo de 2015 e foram oficializadas na Semed (Secretaria Municipal de Educação), Semad (Secretaria Municipal de Administração), Ompe (Organização Mundial para Educação Pré-Escolar) e Promotoria da Infância e Juventude. 

Depois de maus-tratos em Ceinfs, sindicato expõe denúncias de 2 anos atrás

Denúncias

No Ceinf Santa Edwiges um professor seria suspeito de ter molestado pelo menos uma criança. Foi informado que após a denúncia, ele pediu para ser exonerado da função. No local também haveria o caso de uma criança que foi obrigada a ingerir comida misturada com vômito por uma das recreadoras. 

Na denúncia foi relatado que o aluno se recusou a comer, foi forçado e vomitou em seguida. A recreadora então teria obrigado que ele ingerisse tudo misturado. A mesma pessoa ainda teria deixado uma criança de castigo, trancada dentro da sala de aula, enquanto estava com os outros alunos fora do local. 

As denúncias foram registradas por duas recreadoras. Uma delas, de 42 anos, disse que após ter reportado o caso à direção e que não houve providências da direção da escola e nem da Semed, por isso, acionou o sindicato. Outra recreadora disse que quando viu as situações, procurou a direção do Ceinf. Segundo ela, a colega que teria cometido o ato foi transferida, mas não demitida. 

Recreadoras fizeram denúncias ao sindicato (Henrique Kawaminami)Por fim, uma das recreadoras que já fez denúncias, afirmou que acabou sendo transferida do Ceinf que trabalhava. “Depois da denúncia, os pais dos alunos me procuraram e eu confirmei. Fui perseguida e acabei transferida para outro Ceinf”. 

Mães de alunos do Ceinf também acompanharam a entrevista e fizeram questão de reforçar as denúncias, porém, preferiram não se identificar pois as crianças continuam estudando nos Ceinfs. Uma das mães, que é técnica de enfermagem e tem um filho de 4 anos no Ceinf, afirmou que “quando ficaram sabendo, os pais ficaram apavorados, procuraram a Semed e que até o momento estão aguardando resposta para as denúncias de maus-tratos e falta de infraestrutura”. 

Sobre a qualificação dos profissionais que trabalham nos Ceinfs, a presidente do sindicato disse “defender a fiscalização e a qualificação em relação as profissionais que trabalham com as crianças, além da realização de concursos”.

Jornal Midiamax