Cotidiano

Consciência e cuidado com lixo são segredos de 6 cidades ‘livres’ do Aedes

Em MS, 2/3 dos municípios têm alta incidência de mosquito

Kemila Pellin Publicado em 27/02/2016, às 19h31

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Em MS, 2/3 dos municípios têm alta incidência de mosquito

Saber que lugar de lixo é no lixo e que o Aedes aegypti não prolifera onde não há focos, tem ajudado seis cidades de Mato Grosso do Sul a ficar longe da epidemia de dengue pela qual o Estado está passando. Glória de Dourados, Inocência, Itaquiraí, Japorã, Selvíria e Taquarussu são os únicos municípios com baixa incidência da doença.

Para a moradora de Taquarussu, o sucesso está na coleta seletiva, que na cidade é eficiente e tem bons resultados. “Aqui nós temos a coleta seletiva, então não temos problema de garrafas pets pela rua. E acho que isso ajuda muito. O pessoal da saúde também passa nas casas uma vezes por mês, olham todo o quintal e o comercio. Mas claro que sempre tem um ou outro que insiste em fazer coisa errada né”, explicou Edina Maria Martins, de 40 anos, comerciante.

O prefeito Roberto Nem (PSDB) reforçou que o serviço da Vigilância Sanitária mantém visitas constantes no imóveis da cidade, e tem autorização para entrar no locais abandonados. “Nós montamos uma força-tarefa antes mesmo de termos notificações da doença. Optamos por prevenir”, disse.

Já o comerciante de Inocência, destacou que o mérito pelos pouquíssimos casos do vírus, é da população, que hoje tem consciência de que precisam combater o foco do Aedes. “Os moradores são bem organizados e a secretaria faz visitas periodicamente. A cidade é limpinha e até os terrenos baldios tem o mato cortado. Todo mundo se preocupa em manter o mosquito longe”, reforçou Roaldo Ferreira Lino Junior, de 40 anos.

Consciência e cuidado com lixo são segredos de 6 cidades 'livres' do AedesEm Japorã, onde apenas 8 pessoas apresentaram sintomas da dengue, o prefeito Vanderley Bispo de Oliveira, também destacou a limpeza como carro chefe no combate a dengue. Segundo ele, o município tem áreas de vulnerabilidade para doença, por causa dos assentamentos e aldeias indígenas, então as ações de prevenção são ainda mais severas. “Semanalmente limpamos as cedes dos assentamentos e aldeias e mandamos a vigilância acompanhar os locais, já que temos muitas casas em um espaço pequeno, praticamente amontoadas um sobre a outra”, explicou.

Em Itaquiraí, cidade com maior notificação entre as seis (13 casos em 2016), mas também com maior número de habitantes, a prefeitura decidiu bonificar os agentes de saúde, com pagamento do 14º. Em Selvíria, mesmo com apenas cinco registros, a secretaria municipal de Saúde realiza oficinas de capacitação sobre dengue, chikungunya e zika.

Segundo a coordenadora de Vigilância Sanitária da cidade, Jeane Alves, os cursos são uma forma de os profissionais de saúde estarem com as informações de controle epidemiológico sempre atualizadas, sabendo como agir de acordo com os protocolos definidos.Consciência e cuidado com lixo são segredos de 6 cidades 'livres' do Aedes

Das 79 unidades de MS, 55 já receberam classificação vermelha, ou seja, com alta incidência, e 18 estão em situação de alerta. Ao todo, já são 26.829 notificações em 2016. Somados os dois primeiros meses do ano, o número de registros já maior do que o acumulado do ano passado, com 46.070 casos.

Oito pacientes apresentaram o tipo mais grave da doença, sendo cinco em Campo Grande e três em Sidrolândia. Quatro mortes foram confirmadas pela SES (Secretaria Estadual de Saúde). As três vítimas de Campo Grande eram do sexo feminino e tinham, 8,16 e 33 anos. O quarto paciente era de Dourados e tinha 77 anos.

Jornal Midiamax