Cotidiano

Bernal acredita que em um mês “dá para resolver” emprego para catadores do aterro

Catadores reclama que UTRs não são lucrativas 

Evelin Cáceres Publicado em 01/03/2016, às 11h48

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Catadores reclama que UTRs não são lucrativas 

Prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal (PP) disse nesta terça-feira (1º) que em um mês “dá para resolver” emprego ou outras atividades para os catadores do aterro sanitário, que se recusam a deixar a atividade no local. O prazo foi dado pela Justiça após os trabalhadores se recusarem a cumprir a ordem judicial.

Em decisão do juiz em substituição legal na 1ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos, Marcelo Ivo de Oliveira, a partir do dia 28 de fevereiro, o acesso de catadores de recicláveis à 'área de transição' localizada entre os aterros sanitários Dom Antônio Barbosa I e Dom Antônio Barbosa II seria bloqueado. Os catadores poderão atuar apenas na UTR (Usina de Triagem de Resíduos), organizados em cooperativas. Em caso de descumprimento, será aplicada multa de R$ 10 mil diários a eles.

“Nós protocolamos a petição solicitando esse prazo, para oferecer mais uma vez uma oportunidade para quem trabalha ir para o mercado formal. Todas as vezes tentamos tratativas como incluir essas pessoas no Proinc (Programa de Inclusão Social) como encaminhamos ao mercado de trabalho. Ainda existem pessoas que dependem do lixo, mas elas podem trabalhar limpando a cidade. Em trinta dias dá para resolver isso”, concluir Bernal.

Lucrativo

Apesar de perigoso, os catadores defendem que o trabalho no local é lucrativo. Conforme o catador Ivanildo Henrique de Souza, 36 anos, um teste de trabalho foi feito na usina durante uma semana e os catadores receberam apenas R$ 100. Ele disse que trabalhando na área de transição, dentro do lixão, cada trabalhador consegue ganhar R$ 1,3 mil semanalmente. “Nós ficaremos prejudicados. Quem tem família para sustentar vai passar apurado”, comentou.

Um dos motivos de impedir o acesso dos catadores à área de transição é a falta de segurança na execução do trabalho da categoria. Mortes já foram registradas no local devido aos acidentes.

 A catadora Jessica Benitez Guerreiro, 26 anos, disse que este problema não deixará de existir. “Lá na usina não existe apenas materiais recicláveis, existe desde lixo orgânico a lixo hospitalar, o que também coloca em risco a saúde do trabalhador”, destacou.

Jessica disse ainda que o “clima” entre os catadores, que atuam no lixão, é de tristeza, preocupação e revolta. A categoria pretende quebrar a liminar que permitiu o fechamento da áres. Cerca de 560 catadores estão mobilizando um protesto para o dia do fechamento.

“O pessoal está preocupado porque ninguém consegue serviço de uma hora para outra. Conversar não vai adiantar então teremos que encontrar outra solução. Quando a Solurb faz algo de errado nunca é punida, agora nós que estamos aqui todos os dias trabalhando somos punidos”, salientou Jessica. 

Jornal Midiamax