Cotidiano

Antropólogo recebe ameaça e MPF pede investigação à Polícia Federal

Nome dele foi falsamente vinculado a estudos demarcatórios na região

Midiamax Publicado em 17/03/2016, às 20h43

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Nome dele foi falsamente vinculado a estudos demarcatórios na região

O MPF/MS (Ministério Público Federal em Mato Grosso do Sul) pediu à Polícia Federal na terça-feira (15) abertura de inquérito para investigar supostas ameaças ao antropólogo e professor Levi Marques Pereira. O nome dele foi falsamente vinculado a estudos antropológicos de áreas em Dourados, e divulgado junto a proprietários rurais e empresa de segurança.

O professor compareceu ao MPF em Dourados para prestar informações, relatando que, nos dias anteriores, um ‘carro estranho’ havia rondado a sua casa e que também havia sido informado que “os proprietários rurais estavam muito bravos porque supunham que (ele) havia feito os estudos antropológicos referentes a área recentemente ocupada por indígenas”, na borda da reserva de Dourados, próxima ao anel rodoviário do município.

Ele declarou ainda não ter participado dos estudos antropológicos na região, no entanto, “pouco adiantaria procurar os interessados, especialmente no estado de exaltação” em que se encontravam.

Outros dois servidores da instituição de ensino também prestaram declaração ao Ministério Público Federal, confirmando o que foi dito pelo professor e acrescentando que haviam sido informados que os proprietários rurais “estavam se armando”.

Mortes de indígenas

Mato Grosso do Sul é o estado com os mais graves conflitos fundiários entre indígenas e proprietários rurais. Somente no ano passado, 25 mortes de indígenas foram atribuídas ao conflito. Em 2013, após a morte do terena Oziel Gabriel durante reintegração de posse, o governo federal instituiu mesas de negociação entre proprietários, indígenas e instâncias governamentais. As negociações, contudo, não avançaram, ao contrário do conflito, que recrudesce cada vez mais.

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