Cotidiano

Vigilância afasta risco de pastel de cachorro em lanchonetes da Capital

No RJ, chineses foram flagrados usando carne imprópria no recheio

Midiamax Publicado em 14/04/2015, às 13h00

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No RJ, chineses foram flagrados usando carne imprópria no recheio

Para boa parte das pessoas que consomem salgado em lanchonetes populares do Centro  de Campo Grande o que realmente importa é o tamanho e o preço. Talvez por isso que, vários pontos gerenciados desde a última década por chineses tenham obtido tanto sucesso, e estejam sempre movimentados. O custo benefício dessa experiência sofreu, no entanto um arranhão na confiança no último fim de semana, quando na cidade do Rio de Janeiro (RJ) foi descoberto que uma lanchonete recheava pastéis com carne de cachorro, e talvez outros salgados, além de contar na sua linha de produção dos alimentos com trabalho escravo. 

No entanto, na Capital sul-mato-grossense, este problema dificilmente iria acontecer em um ponto na área central, com grande fluxo de clientes. Quem garante é o chefe da Fiscalização de Alimentos da Vigilância Sanitária Municipal, Leonardo Azambuja, que aponta um diferencial em Campo Grande no monitoramento dos estabelecimentos.

“Diferente de São Paulo, do Rio de Janeiro e de muitas outras capitais, aqui em Campo Grande só é aberta uma lanchonete após uma inspeção prévia que irá determinar a conformidade dos procedimentos. Até que essa conformidade seja alcançada o lugar é visitado por fiscais do órgão, que durante o funcionamento irão conferir  a qualidade dos produtos alimentícios comercializados, a manipulação e a armazenagem”, diz Leonardo, que aponta a inspeção inicial da formalização do negócio como um pacto que determina as diretrizes a serem seguidas pelo comércio de alimentos. 

Leonardo garante também que durante o tempo que está no departamento de Fiscalização de Alimentos da Vigilância Sanitária Municipal, nunca teve que autuar um restaurante ou lanchonete com gerenciamento de chineses. Vale lembrar que nos últimos anos a concorrência chinesa passou a ser forte nesse segmento, com vários estabelecimentos populares em pontos do Centro de Campo Grande. 

“Eles não têm o mesmo capricho de limpeza e o atendimento não é o mesmo de um brasileiro mas conseguem ser muito competitivos. O grande diferencial é que eles são guerreiros e muito arrojados. Uma prova disso foi quando eles abriram uma lanchonete aqui na Rua 14 de Julho ao lado da Pastel D’Ouro. Muitos teriam medo de empreender com essa estratégia, porém a lanchonete de chineses abriu e hoje tem maior movimento, vencendo uma potência”, diz o empresário, Rafael Souza, que também possui uma lanchonete na Rua 14 de Julho, coração do Centro de Campo Grande. No ponto está há oito anos.

Afirmação

Em 2005, Fernando Zhua (o primeiro nome ele adotou do português) abriu com a família uma lanchonete no Centro, em uma área próxima a Avenida Mato Grosso. O negócio prosperou, porém foi em outro ponto que o chinês e a esposa mostraram ao mercado o poder de competitividade que daria um sinal a qualquer lanchonete popular da região. Instalados ao lado do Pastel D’Ouro, na Rua 14 de Julho eles abriram uma concorrência frontal e a briga tem sido boa.

“Vale a pena vir pelo tamanho do salgado e o preço se manteve em conta mesmo tendo aumentado. Para quem precisa comer bem e pagar pouco os chineses são a melhor solução. É um lugar pra se comer e ir embora. Venho mais quando saio do trabalho”, conta o vendedor, Eder Luis, de 23 anos, sobre a Zhua Lanchonete, na Rua 14 de Julho. Já a servidora pública Maria Petronilla, admite mais cautela quanto ao estabelecimento. Ela diz não ver muita segurança alimentar em lanchonetes e só opta para comer em locais desse gênero quando não tem opção. “É tudo muito rápido e fico preocupada com a forma como eles tratam os empregados, qual a saúde deles, como é feita a manipulação de alimentos. Isso eu tenho com qualquer lanchonete e principalmente dos chineses que são pelo que a gente vê mais práticos. Evito sucos e só peço salgados como chipa para não ter intoxicações”, explica.

Do mesmo lado da calçada, só que a duas quadras, próximo da Rua Dom Aquino, fica um restaurante popular da família Zhua, aberto em setembro de 2014, com capacidade para atender 100 pessoas. Um concorrente fala que chegou a cobiçar o ponto mas desistiu depois que descobriu o custo para instalar ali um empreendimento. Só de luvas foram cobrados R$ 250 mil, em lugar que era preciso remodelar totalmente. O aluguel, segundo a fonte, estaria fixado em R$ 15 mil. Além disso, a lanchonete tem 15 funcionários, sendo 10 brasileiros e 5 chineses.

“Desde que abriu passamos a vir e não vejo problema no restaurante ser de chineses. Foi por conta deles que começamos a frequentar. Eu achava engraçado ver as garçonetes tentando falar o português, ou falando em Mandarim entre elas. Pelo fato de virmos com certa frequência temos segurança na qualidade dos alimentos. O movimento é bom e recomendo tanto para lanche como para refeições”, fala a secretária, Cristiane Oliveira, acompanhada no local pelo namorado Renato Ribeiro, faturista. 

Para o ‘povão’

Foi da cidade de Nanning, na região de Guangxi, na China, que Ana Sahn (primeiro nome que ela adotou do português) saiu no início do século para viajar 17 mil quilômetros até o Brasil. Em São Paulo, trabalhou pela primeira vez em terras brasileiras, como colaboradora de uma lanchonete da sua família. A família de Ana trouxe o seu primeiro integrante para o Brasil ainda em 1958. Desde então alguém, alguém da linhagem sempre veio para a América do Sul, no sudeste brasileiro para empreender. 

A geração de Ana foi a primeira a se instalar no Centro-Oeste brasileiro. Ela escolheu Campo Grande, em Mato Grosso do Sul, onde abriu a Lanchonete Hong-Kong, nome em alusão à região que fica próxima da sua cidade Natal. O estabelecimento aposta em preços populares, horários alternativos e atendimento para o povão.

“Sabemos atender o povão. Seja pelo produto ou pelo atendimento e o ponto ajuda a chegar a essas pessoas. Faz parte do atrativo fazer salgados grandes e rapidez no atendimento”, esclarece Ana Sahn. O modelo de negócio, mais simples e voltado a classes populares, agrada Juliene Ferreira, estudante de um curso de cabeleireira, que vai à lanchonete quase todos os dias. “Pra mim ajuda muito pois fica aberto até mais tarde e posso comer aqui antes e depois do curso. Não tenho o que reclamar do atendimento ou do produto. Posso garantir a qualidade dessa lanchonete”, defende.

Jornal Midiamax