Cotidiano

Passageiras reagem e aumentam denúncias de abuso sexual em ônibus de Campo Grande

Tarados usam falta de qualidade e lotação como desculpa

Thatiana Melo Publicado em 07/07/2015, às 13h08

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Tarados usam falta de qualidade e lotação como desculpa

As mulheres que dependem do transporte coletivo de Campo Grande enfrentam abusos sexuais cotidianos que acabam ‘passando batido’ com a lotação nos horários de pico. É difícil achar passageiras de qualquer idade que não tenham pelo menos um episódio para contar. Os abusos vão de toques indiscretos nas mãos que seguram nas barras para não cair, até casos extremos de homens que ejacularam nas vítimas.

Além da eterna desculpa de que ‘está lotado’, aspectos culturais ainda deixam muitas mulheres envergonhadas para denunciar. Mas, isso está mudando. A dona de casa, Leila Barbosa, de 32 anos, não acha que a lotação do ônibus seja desculpa para este tipo de situação. “Não é porque a mulher está dentro do ônibus que ele tem o direito de fazer isso, é falta de respeito”, explica.

A mesma opinião tem a auxiliar de cozinha, Sônia Gonçales, de 42 anos. “Não é desculpa. Tem que ter respeito com o próximo e para se defender tem que chegar e falar para o cidadão se afastar por que ele esta incomodando”, diz Sônia. A estudante Fernanda Santos, de 21 anos, que utiliza o transporte coletivo todos os dias afirma que o fato do ônibus estar lotado não é desculpa para a falta de respeito.

“É só a pessoa ter noção de espaço, não é desculpa para isso acontecer. E para se defender tem de colocar a bolsa, mochila para evitar que a pessoa encoste”, ressalta Fernanda. Estas mulheres não passaram por nenhuma situação constrangedora. Diferente da auxiliar de serviços gerais, Rosimeire do Prado, de 42 anos, que já teve de se defender de um ‘engraçadinho’, que tentou abusar dela dentro do coletivo.

Rosimeire disse que ao pegar o ônibus com o pai para ir ao trabalho, um homem começou a encostar, se esfregar e teve que utilizar da marmita que levava para se defender do abusado. “Bati nele com a marmita, meu pai começou a falar com ele, e pedimos para o motorista do ônibus parar e ele foi retirado do coletivo.”, explica Rosimeire que ainda fala que a desculpa de ônibus lotado não dá o direito de o homem querer abusar da mulher.

“Somos brasileiros sempre damos um jeitinho, então, não precisa ficar encostando”, diz.

Em abril 2014 um projeto de lei de autoria do deputado federal, Romário (PSB-RJ), de número 7372/14, foi apresentado à Câmara de Deputados para tornar crime o ato de constranger alguém por meio de contato físico com fim libidinoso, com detenção em regime aberto ou semiaberto, com penas de três meses a um ano, ou ainda a conversão em serviços alternativos ou outro tipo de punição alternativa. Mas, em janeiro deste ano o projeto foi arquivado nos termos do artigo 105 do regimento interno da Câmara de Deputados.

Já outro projeto de lei proposto pelo deputado estadual, Pedro Kemp, foi apresentado em junho deste ano na Assembleia Legislativa para dispor de medidas de prevenção e combate a este tipo de abuso dentro dos coletivos. A proposta prevê que as empresas deverão adotar ações afirmativas, educativas e preventivas ao abuso sexual e violência contra a mulher.

No texto há a sugestão de que cartazes deverão ser fixados com orientações como: “Abuso sexual no ônibus é crime e a mulher que tiver o seu corpo tocado por desconhecidos deve denunciar, seguindo essas orientações: 1) Gritar em sinal de advertência para que as pessoas ao redor percebam o que está acontecendo; 2) Buscar reunir o máximo de informações sobre o agressor para ajudar na identificação, como um sinal físico, uma roupa específica, tatuagem, etc. 3) Fazer o registro de ocorrência da violência na delegacia”.

Ainda de acordo com o texto as empresas de transporte deverão capacitar e treinar os funcionários, com o foco em como agir nos casos de abuso sexual. Imagens de câmeras de vídeos e informações do sistema de GPS deverão ser disponibilizadas às vítimas para que possam reconhecer os assediadores, para a efetivação da denúncia.

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