Cotidiano

Moradores e comerciantes temem que duplicação de BR mate comércio local

Pontos de retorno e travessia também não estão claros para população

Kemila Pellin Publicado em 04/07/2015, às 12h35

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Pontos de retorno e travessia também não estão claros para população

José Antônio Simplício é há quase quinze anos gerente de uma oficina às margens da BR-163, no trecho do macroanel rodoviário de Campo Grande, e, agora, com o projeto de duplicação da rodovia, vive a insegurança de ter que fechar as portas do estabelecimento “por causa do progresso”. Esta sensação é a mesma que muitos moradores e comerciantes da região têm, enquanto a proposta vive, atualmente, impasse decorrente da ameaça de ‘dividir’ o perímetro urbano da Capital.

“No começo do ano, a Prefeitura veio e instalou esse guard rail aí na entrada da minha oficina e isolou seis dos meus boxes. Agora, na semana passada, a CCR disse que vai isolar a outra entrada de boxes. Se isso acontecer, a gente vai ter que fechar nosso estabelecimento, porque nós trabalhamos com carretas e bitrens e não tem como manter o serviço sem a entrada dos boxes”, explica José, ao dizer que desde a instalação do equipamento de segurança já perdeu metade do seu movimento.

A preocupação também é compartilhada pela gerente de uma churrascaria próxima à oficina de José. Ana Loureço teme que a duplicação diminua o movimento do local, por não saber ao certo onde serão instalados os pontos de retorno e travessia. “Se o retorno ficar longe daqui, sei lá, alguns quilômetros que seja, a pessoa não vai voltar só para comer. Então estamos bem preocupados com isso”, explica.

Funcionárias da churrascaria dizem que a preocupação com os locais de retorno, assim como as passarelas, que devem ligar a pista de um lado ao outro, também está presente na vida da população dos bairros localizados do outro lado da BR. “Eu moro no Pedrossian (Conjunto Maria Aparecida Pedrossian), que fica aqui atrás da churrascaria, mas para vir para o serviço eu preciso pegar a pista contrária, então se o retorno for longe daqui, vai dificultar nossa vida e aumentar nossos custos com gasolina também”, explica Kely Fernandes.

Já Daine dos Santos acredita que a duplicação será boa porque deve diminuir o número de acidentes. Mas, admite que concorda com a colega em relação aos locais de retorno e travessia.

Nesse sentido, José Antônio destaca que a duplicação deve sim ser feita, mas de forma que não prejudique os comerciantes e a população. “Essa duplicação precisa ser feita de forma organizada, pensando nos comércios que sobrevivem as margens da rodovia. Se elas isolam as laterais da pista com esse guard rail, acaba com as oficinas, e se bloquearem as marginais, como fizeram aqui na frente, mata os comércios que ficam um pouco mais para dentro do bairro”, finaliza Simplício.

Mudanças no projeto de duplicação estão na pauta da Prefeitura. Na próxima quarta-feira (8), em Brasília (DF), autoridades municipais esperam ter acesso ao projeto de duplicação no trecho que passa pela Capital e, de antemão, pedem mais pontos de acesso à rodovia.

Jornal Midiamax