Cotidiano

Faltando medicamentos e até ataduras, Santa Casa ameaça suspender serviços

Sem receber repasse da Prefeitura, hospital não descarta suspender serviços

Wendy Tonhati Publicado em 06/11/2015, às 15h46

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Sem receber repasse da Prefeitura, hospital não descarta suspender serviços

Com materiais de atendimento e medicamentos acabando, a Santa Casa de Campo Grande corre o risco de suspender parte dos serviços ainda neste mês. Nesta sexta-feira (6), o presidente da ABCG (Associação Beneficente de Campo Grande) Wilson Teslenco se reuniu com membros da diretoria, dos comitês municipal e estadual de saúde e com a promotora da saúde pública Filomena Fluminhan. Ao fim da reunião, Teslenco afirmou que os serviços eletivos podem ser os primeiros a serem suspensos e que a falta de pagamento aos fornecedores fez com que a Santa Casa enfrente a falta de materiais como ataduras e seringas.

“O principal setor afetado, no primeiro momento, são os procedimentos eletivos, que tendem a ser adiados por falta de material. Os de urgência [se forem suspenso] teriam impacto irreversível”, disse Teslenco. “Falta luvas, avental, seringas de 5 ml, então tem de usada uma de 20 ml. Ataduras de um comprimento e por isso, tem de ser cortadas e substituída por outra”, completa. Ao todo, 98 itens entre medicamentos e materiais não foram entregues pelos fornecedores.

Conforme Teslenco, na reunião foi exposto a situação da Santa Casa com relação ao contrato e a dívida da Santa Casa e o desabastecimento do hospital. Depois dos eletivos, os próximo setor a correr risco com o desabastecimento, são os serviços ambulatoriais.

Sobre a folha de pagamento, Teslenco disse que “há um desencaixe de mais de R$ 7 milhões no fluxo de caixa e que a falta de repasse vai impactar na folha de pagamento de novembro”. Os fornecedores devem ser impactos ainda neste mês. 

Sobre a contratualização com a Prefeitura, o diretor afirmou que “a conversa vinha sendo mantida com a Prefeitura, em razão do Estado ter se retirado dessa discussão”. Teslenco disse ainda que por isso, há o esforço de diversas entidades envolvidas nesse processo para trazer o Estado novamente a conversa, para “que ele possa honrar os compromissos assumidos em julho deste ano, de que passaria a apoiar o financiamento da saúde do município”. Para 2016, a previsão do diretor é de dificuldades e de adequação.  

Na próxima semana, a diretoria do hospital deve se reunir com o MPE (Ministério Público Estadual) e possivelmente, com a Prefeitura e o Estado para discutir sobre a contratualização. “Fizemos a proposta de uma nova reunião na quarta-feira para mais uma vez tentar solucionar a questão do contrato da Santa Casa”, disse a promotora Filomena Fluminhan. A preocupação do MPE também é com a baixa de médicos, já que muitos podem deixar o hospital por não receber. 

Ainda segundo a promotora, na próxima semana haverá uma reunião, no dia 12, para fazer uma pactualização entre todos os hospitais de Campo Grande. “É uma outra situação. Infelizmente o que se vislumbrava era chegar nessa reunião, que estava sendo articulada desde maio e que só não foi feita em razão de a Santa Casa estar sem contrato, e ela estar ainda sem contrato”. A reunião deve discutir um encaminhamento para a falta de leitos em hospitais e também a melhor distribuição desses leitos.

Sobre o Inquérito Civil do MPE que apura a continuidade da prestação de serviço da Santa Casa, a promotora disse que mesmo sem contrato, não foram encontradas irregularidades. 

Contratualização

A Santa Casa está sem contrato com a Prefeitura e desde janeiro deste ano, o Executivo já acumula uma dívida de aproximadamente R$ 13 milhões. Nos últimos meses, o hospital deixou de efetuar o pagamento integral de médicos e de fornecedores, causando desabastecimento e até uma greve de médicos. 

Jornal Midiamax