Em operação contra pesca ilegal, PF prende suspeitos de ocultar corpos de Bruno e Dom

Suspeitos são ligados a dois homens denunciados pela morte do indigenista e do jornalista
| 06/08/2022
- 14:30
Em operação contra pesca ilegal, PF prende suspeitos de ocultar corpos de Bruno e Dom
Dom Phillips e Bruno Pereira. (Montagem: Reprodução/Redes sociais)

A PF (Polícia Federal) prendeu neste sábado (6) três suspeitos de ocultar os corpos do indigenista Bruno Pereira e do jornalista Dom Phillips, assassinados em 5 de junho na região da terra indígena do Vale do Javari, no Amazonas. Segundo o jornal Folha de S.Paulo, as prisões foram durante operação contra .

No total, foram cumpridos sete mandados de prisão contra um grupo que faz ilegal nessa região ao oeste do Amazonas. De acordo com a PF, três deles são ligados a Amarildo Oliveira, o Pelado, denunciado pelo MPF (Ministério Público Federal) por ter participado do assassinato de Bruno e Dom, e a Ruben Villar, o Colômbia, investigado por suposta participação no esquema de pesca ilegal.

Ambos estão presos preventivamente na capital do estado, Manaus. Pelado foi levado pelo envolvimento no duplo homicídio, enquanto a prisão de Colômbia foi por uso de documentos falsos. Com ele, os policiais encontraram identificações brasileiras, peruanas e colombianas.

A Folha procurou a defesa dos três suspeitos, que informou que ainda se inteirava sobre a operação.

Denúncia

No mês passado, o MPF apresentou à Justiça denúncia contra três suspeitos por duplo homicídio qualificado e ocultação de cadáver. Amarildo da Costa Oliveira, o Pelado, seu irmão Oseney da Costa de Oliveira, conhecido como Dos Santos e Jefferson da Silva Lima, o Pelado da Dinha, tornaram-se réus na Justiça Federal em Tabatinga (AM).

O MPF argumenta que tanto Amarildo quanto Jefferson confessaram o crime. Já a participação de Oseney foi considerada após depoimentos de testemunhas. Segundo os procuradores, havia registro de desentendimentos entre Bruno e Amarildo por pesca ilegal em território indígena.

No documento, o órgão explica que a razão do crime teria sido o fato de Bruno pedir para Dom fotografar o barco dos acusados, motivação considerada ‘fútil’ pelo Ministério Público Federal, o que pode agravar a pena.

De acordo com a denúncia, Bruno foi morto com três tiros, sendo um deles pelas costas. Já Dom foi assassinado por estar acompanhando Bruno na visita ao Vale do Javari (AM). O documento mostra a reprodução de conversas e cita laudos periciais, como análise dos corpos e objetos encontrados durante as investigações.

Bruno e Dom

O jornalista Dom Phillips e o indigenista Bruno Araújo Pereira foram assassinados na manhã de 5 de junho, domingo, enquanto faziam o trajeto entre a comunidade Ribeirinha São Rafael e o município de Atalaia do Norte, no Amazonas.

Bruno sofria repetidas ameaças por trabalhar com os indígenas isolados do oeste do Amazonas e em defesa da manutenção de áreas ambientais. Antes de atuar junto à União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja), o indigenista trabalhou na Funai como coordenador de povos isolados e foi exonerado do cargo durante a pandemia.

Já o jornalista estrangeiro, colaborador do jornal The Guardian e de outros veículos da imprensa internacional, acompanhava o trabalho para registrar em livro que pretendia escrever sobre a preservação da Amazônia.

No início de julho, a Polícia Federal (PF) prendeu Rubens Villar Coelho, conhecido como Colômbia, citado em meio às investigações do assassinato de Bruno e Dom. Ele é apontado como financiador da pesca ilegal na região e tem ligação com Amarildo da Costa Oliveira, o Pelado.

Colômbia não foi incluído na denúncia do Ministério Público, acatada na quinta-feira pela Justiça Federal no Amazonas. Ele foi preso por outra razão. As autoridades ainda avaliam se houve um mandante para o crime e sua eventual vinculação ao caso.

Após ter comparecido espontaneamente à sede da corporação em Tabatinga a fim de prestar esclarecimentos sobre o assassinato da dupla, ele foi preso por porte ilegal de documento. Colômbia negou participação no crime, mas segue preso pela PF até que sua identidade seja verificada, e porque a polícia teme que ele fuja do País.

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