Carteira de vacinação é exigida em escolas de 37% das cidades brasileiras

O número representa 37% das 3.372 cidades que participaram da pesquisa
| 05/04/2022
- 10:47
Carteira de vacinação é exigida em escolas de 37% das cidades brasileiras
Comprovante de vacinação contra a Covid-19 no município do Rio de Janeiro com a vacina da Pfizer.

A carteira de vacinação contra a covid-19 está sendo exigida em escolas de 1.248 municípios brasileiros, de acordo com levantamento realizado pela Undime (União Nacional dos Dirigentes Municipais de ) com apoio do Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) e Itaú Social. O número representa 37% das 3.372 cidades que participaram da pesquisa.

A ausência do cartão, no entanto, não impedirá o acesso do estudante à escola na maioria das cidades. Desse grupo, 37% das redes que vão exigir o cartão disseram que a falta dele não impedirá a frequência dos estudantes e 47% afirmaram que, apesar de não impedir a frequência, o Conselho Tutelar será comunicado. Em 8,7% das cidades, a falta de imunização vai impedir o acesso às salas de aula até a regularização da situação.

Presidente da Undime, Luiz Miguel Martins Garcia reitera a importância de reparar os danos causados pelo ensino remoto com a intensificação e fortalecimento da aprendizagem. "Aquilo que durante o período mais crítico nós tivemos de fazer da forma como foi possível, mas com a certeza de que ficaram lacunas. Que seja uma intensificação e fortalecimento do processo ensino-aprendizagem nas escolas", considera o dirigente municipal de Educação de Sud Mennucci, no interior de São Paulo

Em relação aos profissionais da educação, 1.888 redes vão solicitar o cartão de vacinação contra a covid-19. Metade delas afirma que os profissionais não vacinados ou com vacinação incompleta serão orientados sobre a importância da imunização, enquanto 38% alegam que o cartão será para monitoramento; 58% planejam promover campanhas para sensibilizar sobre a importância da vacinação contra o coronavírus.

Conforme os organizadores da pesquisa com dirigentes municipais de educação, o objetivo da consulta foi de coletar sistematicamente dados sobre como tem sido o planejamento 2021-2022 e a oferta de educação para 2022; como as redes estão se preparando para o retorno ao ensino presencial; como estão as medidas de segurança sanitária, incluindo vacinação; e quais os principais desafios das secretarias municipais neste momento.

Aulas presenciais

Mais de 80% dos municípios estão oferecendo aulas totalmente presenciais aos alunos. O levantamento contempla respostas de 61% do total de municípios brasileiros, o que representa mais de 22,8 milhões de matrículas.

A principal dificuldade nesta retomada das atividades presenciais em 2022 é a organização do transporte escolar — seguido de adequação de das escolas públicas municipais para atendimento ao protocolo sanitário. O acesso de professores à internet, formação dos profissionais e trabalhadores em educação, planejamento pedagógico e (re)organização do calendário letivo para este ano também constam como desafios enfrentados pelas redes de ensino dos municípios.

Para além das dificuldades estruturais, os municípios têm centrado forças para recuperar a aprendizagem afetada durante o ensino não presencial. As secretarias da educação de 77% das cidades elaboram as propostas para enfrentar o desafio, enquanto 20% deixam a escola elaborar as próprias estratégias. Avaliações diagnósticas também foram aplicadas em seis de cada dez redes, e 33% fazem esse diagnóstico por meio de avaliações que as próprias escolas elaboram.

"A recuperação das aprendizagens exige um olhar sistêmico, com o propósito de reduzir as desigualdades ainda mais aprofundadas durante a pandemia", diz Angela Dannemann, superintendente do Itaú Social, ao defender articulação intersetorial.

Em 77% dos municípios pesquisados, as propostas estão sendo preparadas pela secretaria municipal de educação e enviadas às escolas. Outros 20% estão deixando a escolha das estratégias a cargo de cada unidade escolar, apoiando no que for necessário.

As avaliações diagnósticas têm sido o principal meio de diagnóstico de defasagens de aprendizagem: 60% das redes estão aplicando avaliações em todas as escolas e 33% fazem esse diagnóstico por meio de avaliações que as próprias escolas elaboram.

Imunização

A imunização de crianças de 5 a 11 anos contra o coronavírus, que começou em janeiro, é considerada por especialistas como fundamental para um retorno seguro da atividade escolar. Apesar disso, a vacinação para esta faixa etária enfrentou resistência por parte do governo federal, mesmo diante das evidências de eficácia e segurança.

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