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Polícia apreendeu relatório com timbre do MP sobre operação no Jacarezinho em casa onde suspeitos morreram

Ação se tornou a mais letal da história do Rio de Janeiro

Renata Fontoura Publicado em 08/05/2021, às 09h31

Até o momento, 28 mortes foram registradas
Até o momento, 28 mortes foram registradas - Fabiano Rocha

A Polícia Civil informou nesta última sexta-feira (7) a apreensão de um relatório com detalhes sobre a operação com 25 mortos no Jacarezinho, ocorrida na quinta-feira (6), no Rio de Janeiro. A informação foi publicada pelo portal Metrópoles e confirmada pelo EXTRA.

Segundo a corporação, o documento, que leva o timbre do MP-RJ (Ministério Público do Rio de Jeneiro), foi encontrado dentro de uma casa onde cinco suspeitos foram baleados e não resistiram. De acordo com as investigações, o local funcionava como um esconderijo para chefes do tráfico de drogas que atuam na comunidade. 

O material encontrado pode indicar, segundo avaliação da polícia, um possível vazamento de informações sobre a operação que se tornou a mais letal da história do estado do Rio de Janeiro. Entre os 25 mortos, está um policial civil lotado na DCOD (Delegacia de Combate às Drogas), que foi baleado na cabeça.

Procurado pelo EXTRA, o MP-RJ afirmou que a denúncia do caso estava sem sigilo, pois a ação penal foi ajuizada e recebida no último dia 28 de abril pelo juízo da 19ª Vara Criminal do TJ-RJ, quando foi "suspenso o sigilo do processo, tornando públicas todas as peças processuais".

O desfecho da operação rendeu questionamentos por parte de especialistas e alertas de entidades ligadas aos direitos humanos. Ex-secretário nacional de Segurança Pública, o coronel reformado da PM, José Vicente da Silva Filho, criticou o planejamento e afirmou que não foram levados em consideração o potencial de reação dos bandidos e a segurança da população.

"Não importa que (os mortos) sejam bandidos ou não. Nesse caso, morreu um policial. É uma operação mal planejada. Nunca vi em nenhum lugar uma operação com tamanha quantidade de mortos. Me parece uma operação lá no Afeganistão", alegou o coronel. 

De acordo com o procurador-geral do Rio, Luciano Mattos, "a população pode ficar tranquila que a investigação será realizada com todos os critérios. Se for constatado abuso, será instaurado um inquérito criminal". 

Jornal Midiamax