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'Não queria ser vacinada por você', diz moradora de Paquetá a Queiroga

Ministro da Saúde participou da vacinação na ilha do RJ

Renata Fontoura Publicado em 21/06/2021, às 10h50

Primeira vacinada foi a diretora da associação de moradores local
Primeira vacinada foi a diretora da associação de moradores local - Reprodução

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, ao participar da vacinação em massa da população da Ilha de Paquetá, no Rio de Janeiro, no último domingo (20), aplicou o imunizante na primeira moradora. Contudo, a ação não foi positiva.

Quando perguntou a Conceição Campos, diretora da associação de moradores local, se ela estava feliz, Queiroga escutou: "Estou feliz por estar vacinada, mas não queria ser vacinada por você. Queria ser vacinada por ela", afirma a mulher, apontando para Margareth Dalcomo, pesquisadora da Fiocruz.

O ministro não teve reação. Ela conta que a rejeição ao ministro se dá pelo fato de ele ser "representante de um governo que fala contra a vacina, que fala contra a máscara, que fala contra a ciência". A dirigente comunitária resumiu a situação: "A vacina é verdadeira, mas a mão que me aplicou não é". 

Conceição ainda destacou que "acompanha essa tragédia como cidadã, pela imprensa, pela CPI, pelo número crescente de mortos". Ela também lamentou a difusão de remédios ineficazes e da ideia de que "basta todo mundo adoecer e ir morrendo até que a pandemia acabe, a ausência de uma campanha de prevenção, a falta de testagem e de divulgação de dados".

Cerca de 3.500 moradores de Paquetá foram imunizados ontem e a ilha servirá para estudo da Fiocruz sobre eficácia da vacinação e da viabilidade de acabar com as restrições devido à pandemia. Durante discurso do ministro Queiroga, alguns moradores protestaram contra o presidente Bolsonaro.

(com informações de Chico Alves, do UOL)

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