Brasil

CPI da Pandemia adia votação de requerimentos

Depoimento de infectologista durou sete horas

Agência Senado Publicado em 02/06/2021, às 17h21

O presidente da CPI da Pandemia, senador Omar Aziz (PSD-AM), decidiu adiar a votação de requerimentos
O presidente da CPI da Pandemia, senador Omar Aziz (PSD-AM), decidiu adiar a votação de requerimentos - Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

Depois de sete horas de depoimento da médica Luana Araújo nesta quarta-feira (2), a CPI da Pandemia acabou não votando os cinco requerimentos que estavam na pauta de votações. Ainda não há nova data agendada para votar esses requerimentos. A definição das pautas das reuniões é prerrogativa do presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD-AM). A próxima reunião será na terça-feira (8), com novo depoimento do atual ministro da Saúde, Marcelo Queiroga.

Foi adiada a votação do requerimento de convocação do presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Rogério Caboclo. Ele vai ter que explicar quais medidas foram tomadas para garantir a segurança sanitária dos brasileiros e das delegações estrangeiras durante a realização do evento. O requerimento de convocação é de autoria do vice-presidente da CPI, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP). 

“O Brasil foi surpreendido com o anúncio de que a Copa América de Futebol será realizada no Brasil em plena pandemia. O evento seria realizado na Colômbia, mas foi cancelado por conta dos protestos sociais que tomam conta do país. Em seguida, a Argentina cancelou a realização do torneio devido ao recrudescimento da pandemia. O evento, com início no dia 13 de junho, agora será sediado no Brasil, país que tem mais de 460 mil óbitos por covid-19, e que está na iminência de uma terceira onda da doença”, justifica Randolfe no requerimento. 

Também foi adiada a votação de quatro requerimentos de Omar Aziz relacionados ao depoimento da médica Nise Yamaguchi. Os documentos pedem todos os registros de voo nas empresas Latam, Gol e Azul entre março de 2020 e maio de 2021 de Nise Yamaguchi, e de seus irmãos Naomi Greice Yamaguchi e Charles Takahito. Os registros requeridos são referentes a voos de ida ou volta entre São Paulo e Brasília.

“O requerimento tem em mira obter informações sobre os registros dos voos realizados no trecho São Paulo/Brasília/São Paulo entre março de 2020 a maio de 2021. A senhora Nise Yamaguchi, em seu depoimento, declarou que participou de reuniões com representantes do governo federal acompanhada de seus irmãos”, explica o presidente da CPI.

Outro requerimento de Aziz pendente de votação solicita que o Ministério  da Saúde preste informações sobre eventuais contratos e repasses de recursos entre a pasta e pessoas jurídicas que tenham como sócia ou parte Nise Yamaguchi, no período de março de 2020 a maio de 2021.

“Diante do depoimento da senhora Nise Yamaguchi, verificou-se uma relação muito próxima entre a depoente e diversas autoridades do governo federal durante o período, além da convergência na defesa de medicamentos no denominado tratamento preventivo contra a covid-19”, diz Omar no requerimento.

A médica Nise Yamaguchi prestou depoimento à CPI da Pandemia na terça-feira (1º). Ela voltou a defender o tratamento de pacientes de covid-19 com drogas consideradas ineficazes por pesquisadores dentro e fora do Brasil e foi refutada pela maioria dos senadores.

Mais cedo, o senador Ciro Nogueira (PP-PI) reclamou da inclusão dos requerimentos na pauta sem antecedência. Para ele, a medida contraria o Regimento Interno do Senado.

— Uma série de requerimentos foi colocada na pauta hoje, às 9 horas. Eu já tinha alertado que não iria concordar mais com esse tipo de procedimento. Eu gostaria de arguir a questão do nosso regimento, que não permite esse tipo de procedimento. Nada contra os requerimentos, mas eu espero que isso seja respeitado daqui por diante na nossa CPI — afirmou Ciro Nogueira. 

Jornal Midiamax