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Enquanto deputados debatem intervenção, Forças Armadas fecham rodovias

Rodovias de acesso ao estado

Diego Alves Publicado em 19/02/2018, às 23h10

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Rodovias de acesso ao estado

Ao chegar à Câmara dos Deputados para acompanhar a votação do decreto que coloca a Segurança Pública do Rio de Janeiro sob intervenção federal, o ministro da Defesa, Raul Jungmann, concedeu entrevista e divulgou que, no mesmo momento em que falava com a imprensa, era deflagrada uma operação no Rio de Janeiro. Na noite desta segunda-feira, Forças Armadas e Polícia Rodoviária Federal (PRF) estão bloqueando todas as rodovias de acesso ao estado, pontos críticos de acesso entre a rede federal e a estadual e vias consideradas de grande incidência de roubos de cargas.Enquanto deputados debatem intervenção, Forças Armadas fecham rodovias

“Essa operação faz parte da Garantia da Lei e da Ordem (GLO), em vigência desde meados do ano passado”, explicou. Segundo Jungmann, há um planejamento anterior à intervenção, no escopo da GLO, que coordena ações entre Forças Armadas, polícias e Secretaria de Segurança Pública do Rio. “A operação dessa noite faz parte desse planejamento”, informou.

Segundo ele, há um efetivo de cerca de 3 mil homens – das Forças Armadas, Força Nacional e PRF – bloqueando as vias nesta segunda. “A operação vai varar a noite, continuar no próximo dia e também durante os outros. O principal objetivo é evitar o roubo de cargas, não permitir de haja o descaminho, o assalto, o tráfico de drogas e armas”, disse Jungmann. “Ela tem uma enorme amplitude porque fecha o Rio de Janeiro no que é relacionado a rodovias e a acesso”, acrescentou.

Raul Jungmann garantiu que existe um orçamento de R$ 100 milhões destinado às ações de combate à violência no Rio de Janeiro. De acordo com o ministro, o presidente Michel Temer assegurou que não faltarão recursos para que a intervenção seja bem-sucedida.

Jungmann também esclareceu sobre a necessidade de o governo federal pedir à Justiça carioca a emissão de mandados coletivos de busca, apreensão e captura, conforme pretendido pelo comandante do Exército, general Eduardo Dias da Costa Villas Bôas, e anunciado pelo ministro mais cedo.
“Esses mandados serão cumpridos pelas polícias, não pelas Forças Armadas, a partir de ordem judicial e com o acompanhamento do Ministério Público”, explicou. “A medida se faz necessária porque muitas vezes a inteligência toma conhecimento que crime está sendo cometido em determinado lugar, mas não sabe exatamente qual casa. Então se solicita ao juiz que determinada área como um todo seja alvo de mandato coletivo para o devido combate a esse ilícito”, ressaltou nesta noite.

Ele lembrou que o expediente dos mandados coletivos já foi usado anteriormente no Rio de Janeiro, inclusive durante a instalação das unidades de Polícia Pacificadora (UPPs). “Se for necessário, não há nenhum problema em requerer à Justiça, porque é ela é quem terá a última palavra. Ninguém vai fazer nada que não passe pela Justiça e nem que não seja acompanhado pelo Ministério Público”, reiterou.

Ações da intervenção

O ministro aproveitou a presença da imprensa para esclarecer à população como se darão algumas das ações previstas durante o período de intervenção federal no Rio de Janeiro, que deve vigorar até 31 de dezembro. Segundo Raul Jungmann, as Forças Armadas podem ou não participar do policiamento ostensivo nas ruas cariocas.

“Isso depende de estratégia, não precisa acontecer. Se ele [o interventor] sentir essa necessidade, ele vai discutir no âmbito das Forças Armadas e isso será submetido ao Estado Maior Conjunto, que vai dar o ok ou não”, afirmou. De acordo com o ministro, já está em curso o planejamento das operações militares e administrativas a serem realizadas.

“Está acontecendo neste instante e vai continuar. Paras questões políticas e administrativas, ele [o interventor] tem um prazo de 48 horas para fazer um diagnóstico e apresentar ao presidente da República suas decisões”, destacou.

Jornal Midiamax