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‘Perdi o homem da minha vida’, diz jovem que teve o namorado morto pelo padrasto

 Também tentou matá-la

Diego Alves Publicado em 26/01/2017, às 01h08

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 Também tentou matá-la

Dois anos de relacionamento e muitos sonhos interrompidos por uma tragédia. Diante de seus olhos, a administradora Camila Sousa Oliveira, de 24 anos, viu o namorado, o auxiliar administrativo Victor Hugo Prado Amador, de 22 anos ser morto com um tiro no peito, em Goiatuba, região sul de Goiás. O autor dos disparos era o próprio padrasto do rapaz, que também baleou a ex-mulher e depois se suicidou. A jovem revela que o homem também tentou matá-la e já havia ameaçado a mulher com viveu 19 anos por não aceitar o fim da união.

Camila diz que "não se conforma" com a morte de Victor. Ela conta que os dois praticamente moravam juntos e planejavam comprar uma casa e também subir ao altar. "Ele era meu anjo. Não tinha tempo ruim para ele, nunca o vi triste. Não me deixava sozinha, era extremamente carinhoso, cuidava de mim. Perdi o homem da minha vida, meu verdadeiro amor", disse ela ao G1.

Na última segunda-feira (23), ela, o namorado e a sogra, Keila Amarins Prado, de 42 anos, estavam em casa quando o sogro, Paulo César Vieira Faria, de 47, chegou ao local para conversar com a ex. O casal estava separado desde o começo do ano e ele insistia em reatar.

"No dia 31 de dezembro, ele brigou com minha sogra porque ela tinha saído com a irmã. Quando ela chegou em casa, ele a ameaçou com uma faca e a cunhada teve de intervir . No dia seguinte, ela o deixou. Ele também era agressivo, já tinha batido nela", lembra.

Tiros e pânico
Quando Paulo entrou na casa – onde, inclusive, Keila estava morando após a separação – Victor e Camila entraram para a sala e deixaram os dois conversando no quintal. Em alguns minutos, a jovem conta que ouviu o homem alterando a voz e pedindo que eles voltassem.

"Disse para o Vitor para vermos o que era. Quando abrimos a porta, o Paulo já deu um tiro nele e tentou dar um em mim também. Corri para o banheiro e o Victor para o quarto. Depois ouvi mais três tiros, que feriram a Keila", conta.

A administradora foi em seguida para o quarto ver como o namorado, ferido no peito, estava. Ela abriu a janela para ver como estava a situação e lembra que Paulo César disparou outras duas vezes contra ela, sem, no entanto, acertá-la.

Naquele momento, ela ouviu mais um disparo, o que o homem fez contra a própria cabeça. Camila, que escondida não sabia do suicídio, conseguiu mandar uma mensagem para uma vizinha, que pediu socorro. A mulher foi até o portão da residência e gritou: "Pode sair, ele [Paulo César] está caído aqui".

O homem morreu no local. Victor chegou a ser levado ao hospital, mas não resistiu aos ferimentos. Já Keila foi socorrida no Hospital Municipal de Goiatuba e operada. Depois, ela foi transferida para um hospital de Itumbiara. O G1 não consegui contato com a unidade de saúde.
Investigação

A Polícia Civil investiga o caso. De acordo com o delegado Patrick Carniel, responsável pelo caso, os depoimentos devem começar nesta quarta-feira (25). "Vamos ouvir testemunhas e aguardar os laudos, que devem ficar prontos em uns dez dias, para concluirmos o caso", disse ao G1.
Os tiros saíram de um revólver calibre 22 sem registro. Foram deflagrados os seis projéteis que estavam no tambor. Com o atirador, foram encontradas ainda 14 balas intactas.
Os corpos de Victor e Paulo César foram enterrados na terça-feira (24), em Goiatuba.

Jornal Midiamax