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OAB repudia vídeo de escola da PM com tributo a Bolsonaro: ‘Lamentável’

 Alunos do terceiro ano do ensino médio

Diego Alves Publicado em 08/08/2017, às 21h34

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 Alunos do terceiro ano do ensino médio

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) do Amazonas, Marco Aurélio de Lima Choy, lamentou que dezenas de alunos do terceiro ano do ensino médio do Colégio Estadual Professor Waldocke Fricke de Lyra, em Manaus, naquele estado, tenham aparecido num vídeo que chama o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) de “salvação da nação”, sob comando de dois policiais, num ginásio da escola.OAB repudia vídeo de escola da PM com tributo a Bolsonaro: 'Lamentável'

O colégio integra a rede estadual, mas é administrado pela Polícia Militar (PM) por meio de um acordo com a Secretaria de Educação do Amazonas (Seduc). O GLOBO entrou em contato com a secretaria, que informou estar “apurando a situação”. Já a PM do Amazonas informou que abriu um procedimento administrativo que será conduzido pela Diretoria de Justiça e Disciplina da corporação.

O vídeo mostra nove filas de alunos, comandados por dois policiais militares, fazendo coro com as mãos para trás. Os estudantes repetem gritos de ordem dos PM como “Convidamos Bolsonaro, salvação dessa nação/ Nos quatro cantos ouvirão completa nossa canção”.

— Repudiamos qualquer forma de ingerência sobre a liberdade de expressão, seja para homenagear ou deixar de homenagear alguém. Esse vídeo é lamentável. Não se coloca palavras na boca de adolescentes sobre decisões de outros, ainda mais sendo uma homenagem — comenta o presidente da OAB. — Trata-se de um ambiente acadêmico, onde se formam cidadãos. Não podemos permitir isso. O conselho da OAB do estado vai se reunir para liberar uma nota de repudio sobre o ocorrido.

PROFESSOR CONSIDERA DIVULGAÇÃO DE VÍDEO UMA CONTRADIÇÃO

Para o professor Fernando Penna, professor da Faculdade de Educação da Universidade Federal Fluminense (UFF), a divulgação do vídeo por parte de Bolsonaro é uma enorme contradição.

— Se fosse um político de esquerda sendo chamado de salvador por alunos em um vídeo gravado dentro de uma escola, o próprio Bolsonaro iria criticar. A iniciativa de criar o projeto de lei “escola sem partido” foi do deputado estadual do Rio de Janeiro Flávio Bolsonaro, que apresentou o primeiro projeto com este nome na ALERJ em maio de 2014. É um projeto que, ao meu ver, quer acabar como a dimensão educacional da escola, mas que tem como um dos seus pretensos objetivos impedir a propaganda partidária dentro das escolas. É uma contradição muito grande que alguém que defenda isso compartilhe um vídeo como esse — disse Penna, que integra o momento “Educação Democrática”.

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O professor considerou ainda muito grave a escola ter produzido o vídeo:

— Se for um vídeo feito pela escola é muito grave. Além disso, ele (Jair Bolsonaro), eticamente, não deveria compartilhar o vídeo. Se fosse um político de esquerda, ele iria criticar. O movimento (Escola Sem Partido) é seletivo nas suas acusações, porque se tivesse coerência denunciaria esse vídeo como um caso grave — concluiu Penna.

LEIA, NA ÍNTEGRA, A NOTA DA PM DO AMAZONAS

“A Diretoria de Comunicação Social da Polícia Militar do Amazonas informa que o colégio Waldocke Fricke de Lyra é subordinado a administração do Comando Geral da Instituição, e que ao tomar conhecimento da divulgação do vídeo, o Comandante Geral determinou a abertura de um procedimento administrativo, que será apurado por meio da Diretoria de Justiça e Disciplina (DJD) da Polícia Militar.”

Jornal Midiamax