Morre aos 98 anos o crítico literário, professor e sociólogo Antonio Candido
Ativista político, Candido foi um dos principais críticos literários do Brasil
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Ativista político, Candido foi um dos principais críticos literários do Brasil
Morreu na madrugada desta sexta-feira (12) o crítico literário, ensaísta, professor universitário e sociólogo Antonio Candido. Ele tinha 98 anos e estava hospitalizado no Hospital Albert Einstein, em São Paulo.
Sua carreira na crítica literária é reconhecida nacionalmente e internacionalmente pela contribuição a área, iniciada desde cedo em sua vida com o lançamento da revista Clima, em 1941.
A revista teve sua atividade encerrada em 1944, apenas com 16 edições, mas ajudou a revelar nomes marcantes da literatura paulista, como Salles Gomes, Ruy Coelho, Lourival Gomes Machado, Décio de Almeida e sua ex-esposa Gilda de Mello Souza, falecida em 2005.
Antonio Candido nascera em 24 de julho de 1918, há quase um século, no Rio de Janeiro. Após anos recebendo lições de casa com a mãe, Clarisse Tolentino de Mello Souza, entrou na escola com 11 anos, em Poços de Caldas, Minas Gerais.
O ginásio foi concluído em São João da Boa Vista, São Paulo. Aos 21 anos, Candido entrava para a Faculdade de Direito da USP, que seria abandonada no quinto ano, para que o jovem começasse sua carreira no curso de Ciências Sociais na antiga Faculdade de Filosofia da USP.
Em 1945, tornou-se livre-docente em Literatura Brasileira pela mesma Universidade, e em 1945, recebeu o título de doutor em Ciências Sociais. Assumiu, em 1960, o cargo de professor de Teoria Literária e Literatura Comparada na FFLHC (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas) da USP.
Um pouco antes, em 1958, foi professor de Teoria Literária na Faculdade de Filosofia de Assis. Entre os anos de 1964 e 1966, deu aulas na Universidade de Paris, na França, e entre 1964 e 1966, na Universidade de Yale, nos Estados Unidos.
Na imprensa, o crítico escreveu para a Folha da Manhã, atual Folha de S. Paulo, para o Diário de S. Paulo e para o Estado de S. Paulo. Em 1978, aposentou-se do cargo de professor, mas continuou orientado dissertações e teses de pós-graduandos.
Política
Além de sua contribuição à literatura brasileira, Candido se destacava pela sua incansável atuação política, iniciada quando participou da Frente de Resistência contra a ditadura do Estado Novo, e da criação do Grupo Radical de Ação Popular, em 1942.
Aliou-se logo depois a Sérgio Buarque de Holanda para aderirem à Esquerda Democrática, que deu origem ao Partido Socialista Brasileiro em 1947.
Enquanto morava em Paris, Candido manifestou apoio ao MDB. Em 1977, assinou o Manifesto dos Intelectuais, que pedia o fim da censura, e em 1980, foi um dos participantes da fundação do PT.
“Confesso que por toda a minha vida, mesmo nos momentos mais agudos, nunca fui capaz de perder a preocupação com os fatores sociais e políticos, que obcecaram minha geração como uma espécie de memento e quase de remorso”, disse Candido em entrevista à revista Trans-form-ação, em 1975.
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