Brasil

Juiz de SP proíbe exibição de peça que tem travesti no papel de Jesus Cristo

Atriz Renata Carvalho relatou ataques sofridos contra o espetáculo

Ludyney Moura Publicado em 16/09/2017, às 18h29

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Atriz Renata Carvalho relatou ataques sofridos contra o espetáculo

A apresentação da peça de teatro O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu, que seria exibida no Sesc da cidade de Jundiaí (SP), ontem sexta-feira (15), foi cancelada por ordem de um juiz, que considerou o espetáculo um atentado ‘à fé cristã’.

“É preocupante que lei seja aplicada assim, que não seja fato isolado, muitos precedentes de censura, essa semana teve vários, ao mesmo tempo isso mostra importância do trabalho, é positivo que trabalhos como esse acendam esse debate”, disse a diretora da peça, Natália Mallo, em um vídeo divulgados nas redes sociais.Juiz de SP proíbe exibição de peça que tem travesti no papel de Jesus Cristo

A peça tem no papel principal a atriz trans Renata Carvalho, que interpreta Jesus Cristo, na adaptação brasileira da obra da dramatuga escosesa e transexual Jo Clifford. A obra gerou polêmica desde sua estreia.

De acordo com o Jornal O Estado de São Paulo, o juiz da 1ª Vara Cível da Comarca de Jundiaí, Luiz Antônio de Campos Junior, alega que não discute a liberdade religiosa, mas que não pode ser tolerado ‘o desrespeito a uma crença, a uma religião, enfim, a uma figura venerada no mundo inteiro’.

“De fato, não se olvide da crença religiosa em nosso Estado, que tem Jesus Cristo, como o filho de Deus (…) Em se permitindo uma peça em que este homem sagrado seja encenado como um travesti, a toda evidência, caracteriza-se ofensa a um sem número de pessoas”, diz trecho da decisão, publicada pelo Estadão.

O Sesc paulista recorreu da decisão e o espetáculo será exibido neste sábado (16) em São José do Rio Preto e, no domingo (17), em Santo André.

A diretora da peça explica que a ideia da obra é resgatar o que eles consideram a essência da mensagem de Jesus, como a afirmação da vida, do corpo e valores como a tolerância, solidariedade, perdão e amor, mostradas à partir da ótica de problemas atuais, como a transfobia.

“A Peça traz essa reflexão, (mostra) figura de Jesus de maneira respeitosa, mas é muito política e provocadora, porque o Brasil é o país mais transfóbico do mundo, o que mais assassina travestis e transexuais no mundo”, pontua Natália. 

Jornal Midiamax