Brasil

Em parecer ao STF Janot afirma que Temer praticou crime de corrupção, diz jornal

Seria um adiantamento de constatação

Ana Paula Chuva Publicado em 26/06/2017, às 17h35

None

Seria um adiantamento de constatação

Temer praticou o crime de corrupção, teria afirmado o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, segundo o site Uol. O adiantamento da constatação, que deverá constar na denúncia que será apresentada até a terça-feira (27), foi feito durante o encaminhamento do despacho para reforçar a prisão do ex-deputado federal Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), ex-assessor especial da Presidência está preso dentro da mesma investigação.Em parecer ao STF Janot afirma que Temer praticou crime de corrupção, diz jornal

“Rodrigo Loures representa os interesses de Michel em todas as ocasiões em que esteve com representantes do Grupo J&F. Através dele, Temer operacionaliza o recebimento de vantagens indevidas em troca de favores com a coisa pública. Note-se que, em vários momentos dos diálogos travados com Rodrigo Loures, este deixa claro sua relação com Michel Temer, a quem submete as demandas que lhes são feitas por Joesley Batista e Ricardo Saud, não havendo ressaibo de dúvida da autoria de Temer no crime de corrupção”, afirmou Janot.

De acordo com o Uol, outra conclusão de Janot seria que “revela-se hialina cristalina a atuação conjunta dos investigados Rodrigo Rocha Loures e Michel Temer”.

“Conforme se depreende do contexto fático-probatório, os diversos episódios narrados alhures apontam para o desdobramento criminoso que se iniciou no encontro entre Michel Temer e Joesley Batista no Palácio do Jaburu no dia 7 de março de 2017 e culminou na entrega de R$ 500 mil efetuada por Ricardo Saud a Rodrigo Loures em 28 de abril de 2017”, afirmou Janot.

O procurador teria ressaltado que o encontro no Jaburu foi agendado por Loures e que o fato de ser no fim da noite era para “não deixar vestígios dos atos criminosos lá praticados”.

“As circunstâncias deste encontro, em horário noturno e sem qualquer registro na agenda oficial do presidente da República, revelam o propósito de não deixar vestígios dos atos criminosos lá praticados”.

Ainda de acordo com o Uol, Janot  teria destrinchado vários pontos de ligação entre Temer e Loures de acordo com documentos e com conversas obtidas nas investigações.

Fatos como o de Loures ter sido chefe de gabinete de Temer na vice-presidência da República em 2011; que Temer teria gravado em 2014 um vídeo para campanha de Loures à Câmara dos Deputados; que em janeiro de 2015 Loures tornou-se chefe da assessoria parlamentar de Temer na vice-presidência, e em abril do mesmo ano foi nomeado como chefe de gabinete da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República. “Todos esses fatos ilustram proximidade e relação de confiança entre os dois denunciados”, disse Janot.

Procurado também teria destacado que Ricardo Conrado Mesquita, da Rodrimar, afirmou em depoimento à Polícia Federal que “foi orientado a procurar Rodrigo da Rocha Loures, uma vez que ele realizava a interlocução entre a vice-presidência da República e representantes do setor privado”. Segundo Janot, essa seria “mais uma evidência de que Rocha Loures atuava como interlocutor de Michel Temer”.

Para Janot, também não faz sentido a alegação de que as menções de Michel nas conversas entre Joesley e Loures seriam ‘venda de fumaça’ – quando alguém promove influência que não existe em relação a agente público.

Jornal Midiamax