Brasil

Manifestação no Recife reúne 120 mil pessoas na praia de Boa Viagem

Atos pedem impeachmente de Dilma

Evelin Cáceres Publicado em 13/03/2016, às 20h09

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Atos pedem impeachmente de Dilma

A Polícia Militar finalizou os levantamentos de manifestantes em Recife, que chegaram a 120 mil pessoas, que se reuniram à orla da capital pernambucana, no bairro de Boa Viagem. O ato, que começou às 10h, pediu o impeachment da presidenta Dilma Rousseff e a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Sob um sol intenso, três trios elétricos e um carro de som puxavam o ato. Os manifestantes vestiam verde e amarelo e levavam cartazes pedindo o impeachment e criticando o Partido dos Trabalhadores (PT). Muitas bandeiras do Brasil foram levadas, e também cartazes de apoio ao juiz Sérgio Moro, responsável pelo processo da Operação Lava Jato, que investiga a lavagem e desvio de dinheiro envolvendo a Petrobras, grandes empreiteiras do país e políticos de vários partidos. Até um boneco de Olinda do juiz foi levado para o ato.

A multidão percorreu a avenida da orla no bairro de Boa Viagem, um setor nobre da capital pernambucana. Muitos moradores de prédios que ficam à beira mar colocaram mensagens e bandeiras brasileiras nas janelas em apoio à manifestação. A parte da frente dos edifícios funcionaram como uma espécie de camarote, de onde os recifenses aplaudiam o ato e gritavam mensagens contra o governo.

Na rua, alguns manifestantes foram até fantasiados. Como Marcos Nunes, 48, administrador de empresas, que levava uma maleta cheia de notas de dinheiro com os rostos de políticos conhecidos. Ele foi demitido quando a companhia onde trabalhava se fundiu a outra e reduziu a equipe. “Eu tinha emprego, ganhava bem, sustentava minha família, estou desempregado há dois anos. Já cansei de mandar currículo, trabalho por conta própria fazendo alguns serviços, em todo lugar que eu vou dizem que meu currículo é bom mas ninguém me dá emprego”, reclama. “Tenho R$ 5 mil de despesas para pagar, só de imposto – IPTU, IPVA e outras coisas mais. Ontem deixei de fazer feira porque meu dinheiro não deu”.

Ele, no entanto, não defende um nome específico para assumir a Presidência da República no futuro. “Infelizmente não temos ninguém que possa assumir a Presidência de imediato, que seja do meu gosto, porém a gente sabe que na pior das hipóteses quem vai assumir é o vice. Ele vendo essa pressão ou ele faz alguma coisa ou vai pra cima de novo, até que apareça alguém decente”, disse.

A família de Matheus Henrique, 22, foi toda para a manifestação. O estudante da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) afirmou que eles estão “cansados da corrupção”. Ele disse gostaria de novas eleições e novas ideias para o país, mas também não citou nomes.

Delegados da Polícia Federal também estiveram presentes no ato. De acordo com a diretora regional da Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal (ADPF), Kilma Caminha, eles aproveitaram a manifestação para pedir apoio à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 412, que estabelece a autonomia administrativa, financeira e orçamentária da PF.

"Viemos chamar a atenção do povo e pedir apoio popular para que a Polícia Federal possa ser independente do governo e possa fazer o seu trabalho no combate à corrupção sem depender de qualquer tipo de governante", disse Kiloma.

A delegada disse que o movimento não estava no local para defender as bandeiras levantadas pelo ato. "Nosso movimento é apartidário. Não somos conta ou a favor de qualquer partido. Não estamos em defesa ou contra o impeachment, estamos pedindo apoio popular para a proposta".

Jornal Midiamax