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Líder de ato em BH diz que manifestação foi ‘recado de que há resistência’

O ato começou por volta das 16h

Diego Alves Publicado em 19/03/2016, às 01h25

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O ato começou por volta das 16h

As ruas do centro de Belo Horizonte foram tomadas de vermelho na noite de hoje (18) durante o ato contra o impeachment da presidenta Dilma Rousseff. Manifestantes vestidos em sua maioria da cor que simboliza a esquerda entoavam palavras de ordem contra o que acreditam ser uma tentativa de golpe.

A presidenta da Central Única dos Trabalhadores (CUT) de Minas Gerais, Beatriz Cerqueira, fez um balanço positivo da manifestação. "Foi um claro recado de que há resistência. Um aviso aos partidos e a ala do Judiciário que defendem o golpe que nós vamos resistir. Vamos buscar caminhos dentro da democracia pra resolver esse impasse", disse.

Segundo Beatriz, os recentes vazamentos de ligações grampeadas do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de pessoas próximas a ele são ilegais. "Por que interessa com quem a mulher do Lula conversa ao telefone? Como de repente isso vira manchete de jornal? É inacreditável”, criticou.

O ato começou por volta das 16h, com concentração na Praça Afonso Arinos, região central de Belo Horizonte, de onde saiu até a Praça da Estação. Cartazes contra o juiz Sérgio Moro e a TV Globo dividiam espaço com bandeiras do Partido dos Trabalhadores (PT) e do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST).

Em frente a praça, na sacada do edifício da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), estudantes exibiram cartazes em apoio às manifestações.

Líderes da CUT-MG, do MST e de outros movimentos sociais dividiram o microfone nos carros de som que acompanhavam o trajeto. "Estamos vendo direitos individuais sendo violados. Trouxemos aqui uma carta assinada por diversos promotores que não concordam com a ilegalidade", disse o promotor do Ministério Público de Minas Gerais Gilvan Alves Franco, um dos oradores.

A crítica à atuação do juiz Sérgio Moro deu o tom da maioria dos discursos. “Se nós violarmos a Constituição de 1988, também perdemos as bases do Estado Democrático de Direito. O Judiciário é um poder autônomo, porém não pode ser partidário", disse o cientista político Lucas Cunha.

Participação

Além de apoiadores do governo, pessoas que têm críticas ao Executivo, mas que nem por isso apoiam o impeachment, também aderiram à manifestação desta sexta-feira na capital mineira.

A funcionária pública Maria Lina Soares Souza, 66 anos, lembra que viveu a ditadura militar, participou da campanha das Diretas Já, se entusiasmou com o surgimento do PT e mais tarde se decepcionou com o partido.

"Me frustrei com as falhas éticas de alguns políticos do partido. Mas é inegável as conquistas deste governo e quando se trata de defender o Estado Democrático de Direito eu viro petista de novo", disse.

A contadora Cláudia de Souza e Silva, 52 anos, criticou os que esperam a renúncia da presidenta Dilma Rousseff. "É uma mulher que foi torturada na época da ditadura militar e não delatou nenhum companheiro. Então não esperem que ela vá esmorecer. Estamos firmes na luta.”

O ato de BH também teve a presença de prefeito e outros políticos, como o ministro do Desenvolvimento Agrário, Patrus Ananias (PT), e a deputada federal Jô Morais (PCdoB). Por outro lado, o governador Fernando Pimentel (PT) não compareceu. Ele foi representado pelo secretário de Direitos Humanos de Minas Gerais, Nilmário Miranda, que acusou a oposição de usar o aparato judiciário para fazer luta política.

"As elites que comandaram os países há séculos não conseguem conviver com quem tem outros projetos. Já vivemos outros momentos semelhantes. O golpe de 1964 foi isso”, comparou.

Segundo a Polícia Militar, 15 mil pessoas participaram da manifestação. Ao fim do ato, um evento cultural: músicos mineiros como o rapper Flávio Renegado e a sambista Aline Calixto assumiram o trio elétrico.

Jornal Midiamax