Condenações na Argentina são esperança para familiares e ativistas

Após um tribunal argentino condenar, na última sexta-feira (27), militares envolvidos na chamada Operação Condor, familiares de vítimas da ditadura militar e defensores dos direitos humanos esperam que o Brasil também condene membros ativos dos crimes praticados pelo Estado brasileiro durante o período.

A Operação Condor tratou-se de um plano de troca de informações sobre opositores, entre os regimes ditatoriais da América do Sul. Os governos do Brasil, Argentina, Chile, Paraguai, Uruguai e Bolívia coordenavam ações para perseguir, sequestrar, torturar e assassinar as pessoas que se opunham a seus regimes.

Em entrevista à rede BBC, a advogada Luz Palmás Zaldua, que esteve presente no caso, afirmou que a sentença é uma esperança de que o caminho seja seguido por outros países. “Esperamos que essa sentença aqui na Argentina tenha a possibilidade de gerar investigação sobre o Plano Condor no Brasil e nos outros países envolvidos naquelas ações conjuntas de perseguições e desaparecimentos nas ditaduras da região”, afirma.

No julgamento ocorrido na sexta, a Justiça argentina condenou 17 acusados de envolvimento em crimes relacionados à Operação Condor, a até 25 anos de prisão. Dentre eles, estão 45 uruguaios, 22 chilenos, 14 argentinos, 13 paraguaios e 11 bolivianos.

Zaldua lembra que também já chegaram a ser pedidas as extradições de ditadores de outros países, no longo processo que começou em 1999. “A Justiça argentina pediu a detenção e extradição de Pinochet, de Banzer e de Stroessner em 2000 e 2001, para que eles fossem julgados aqui. Mas os pedidos foram rejeitados. Na época, Stroessner morava em Brasília, mas o Brasil também rejeitou o pedido de extradição”, afirma.