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Procuradoria deve pedir ao STF para investigar Eduardo Cunha, diz jornal

Candidato à presidência da Câmara, deputado nega ter recebido propina.

Clayton Neves Publicado em 07/01/2015, às 17h17

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Candidato à presidência da Câmara, deputado nega ter recebido propina.

Candidato à presidência da Câmara dos Deputados, o líder da bancada do PMDB, Eduardo Cunha (RJ), foi mencionado em depoimento da Operação Lava Jato como suposto beneficiário do esquema de corrupção que atuava na Petrobras, segundo reportagem publicada nesta quarta-feira (7) pelo jornal “Folha de S.Paulo”. Cunha nega a acusação.

A reportagem também afirma que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, deve solicitar aoSupremo Tribunal Federal (STF), na primeira semana de fevereiro, abertura de inquérito para investigar a suposta participação do deputado do PMDB com a organização criminosa comandada pelo doleiro Alberto Youssef.

De acordo com a publicação, o peemedebista teria recebido suborno por meio do policial federal Jayme Alves de Oliveira Filho, conhecido como “Careca”, acusado de trabalhar para Youssef. O próprio “Careca”, informa o jornal, teria revelado à Polícia Federal (PF) que entregou dinheiro na casa do líder do PMDB, no Rio de Janeiro.

Jayme Alves de Oliveira Filho chegou a ser preso em outubro, na mais recente fase da Operação Lava Jato, porém, foi libertado no momento em que expirou o prazo de sua prisão temporária. Na ocasião, o juiz federal Sérgio Moro, responsável pelo processo da Lava Jato na primeira instância, determinou que “Careca” fosse afastado temporariamente de suas atribuições na PF.

O G1 tentou falar com Eduardo Cunha, mas até a última atualização desta reportagem não havia conseguido localizá-lo. Nesta quarta, ele está em viagem à Região Norte, em campanha pela presidência da Câmara.

Deputado nega
Por meio de sua conta pessoal no microblogTwitter, Eduardo Cunha negou envolvimento com o esquema de lavagem de dinheiro e pagamento de propina operado por Youssef. Ele atribuiu a denúncia a uma supos6a tentativa política de atacar sua candidatura à presidência da Câmara.

Cunha já obteve o apoio formal de PSC, DEM e PRB à candidatura e tenta obter os votos de deputados de PR, PSD e PP.  Eduardo Cunha disputará a presidência da Câmara contra os deputados Arlindo Chinaglia (PT-SP) e Júlio Delgado (PSB-MG), os outros dois que lançaram candidatura.

“Se a pólvora da bomba deles [adversários na disputa pela presidência da Câmara] é dessa qualidade, será tiro de festim na água. E lamentável que oponentes meus usem desse expediente baixo tentando me desqualificar. Absurdo também que a matéria contenha acusação inexistente, quando, no citado depoimento, de nada fui acusado”, escreveu o deputado do PMDB na rede social.

Também por meio do Twitter, Eduardo Cunha disse que tomou conhecimento da citação de seu nome em depoimento da Lava Jato, mas, segundo ele, o policial federal suspeito de envolvimento com o esquema de corrupção não o acusa de nada.

Segundo Cunha, “Careca” relatou à PF que entregou dinheiro em um condomínio da Zona Oeste do Rio supondo se tratar da residência de Cunha. O peemedebista, entretanto, afirma que o endereço mencionado por Oliveira Filho não corresponde ao local onde ele mora.

Eduardo Cunha disse ainda na rede social ter sido informado que o advogado do policial federal investigado pela Lava Jato afirmou que irá apresentar à Justiça Federal uma petição para esclarecer o suposto equívoco na citação do endereço.

“[Careca] fala que ouviu dizer que é o meu [endereço], mas que entregou ao proprietário do imóvel, mas que não pode afirmar que sou eu. Fui informado através de informação dada pelo adv do caso que o endereço é o situado na Rua Fala Amendoeira, condomínio Novo Leblon. Fui informado também que o adv teria peticionado esclarecendo o endereco”, comentou Cunha no Twitter.

A assessoria de Eduardo Cunha divulgou nota oficial no site do líder do PMDB. No comunicado, o parlamentar diz rechaçar com “veemência e indignação” a suspeita de que tenha envolvimento com o esquema de corrupção na Petrobras. O peemedebista também afirma na nota que não conhece o policial federal Jayme Alves de Oliveira Filho.

Políticos citados
Em dezembro, reportagem do jornal “O Estado de S. Paulo” afirmou que o ex-diretor de Refino e Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, preso em março pela Operação Lava Jato, revelou em seu acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal (MPF) o nome de 28 políticos supostamente beneficiados pelo esquema de corrupção que atuava na Petrobras. Na ocasião, o nome de Cunha não foi mencionado.

Segundo o jornal, entre os mencionados por Costa estão o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão; os ex-ministros Antonio Palocci (Fazenda e Casa Civil), Gleisi Hoffmann (Casa Civil) e Mário Negromonte (Cidades); o governador do Acre, Tião Viana (PT); os ex-governadores Sérgio Cabral (Rio) e Eduardo Campos (Pernambuco), além de deputados e senadores de PT, PMDB, PSDB e PP. Todos os políticos citados negam envolvimento com o esquema de corrupção.

Nos depoimentos que prestou aos procuradores da República entre agosto e setembro, informou “O Estado de S. Paulo”, Paulo Roberto Costa relatou que parte dos políticos que integravam o esquema de corrupção recebiam repasses de propinas com frequência.

O ex-diretor da Petrobras, que está em prisão domiciliar no Rio de Janeiro, revelou ao MPF que as parcelas de suborno chegaram a superar R$ 1 milhão. O dinheiro, destaca a reportagem, teria sido usado em campanhas eleitorais.

Em depoimento à Justiça Federal do Paraná em outubro, Costa também relatou que parte da propina cobrada de fornecedores da estatal foi usada na campanha eleitoral de 2010. Segundo ele, o dinheiro era direcionado a PT, PMDB e PP.

Jornal Midiamax