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Pai processa clínica e funerária após vídeo de Cristiano Araújo morto vazar

Ação indenizatória também é contra seguradora do plano funerário, em GO

Gerciane Alves Publicado em 02/07/2015, às 17h17

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Família de Cristiano Araújo lançará projeto com músicas inéditas do cantor

Ação indenizatória também é contra seguradora do plano funerário, em GO

A família do cantor Cristiano Araújo, de 29 anos, que morreu em um acidente de carro na BR-153, em Goiás, entrou na Justiça com uma ação por danos morais contra a Clínica Oeste, onde foram feitas as imagens do momento em que o corpo do cantor era preparado para o enterro. Além do estabelecimento, também foram acionadas a Funerária Paz Eterna, contratada para o transporte, e a seguradora do plano funerário, cujo nome não foi revelado.

A advogada Amelina Moraes do Prado, que representa o escritório do cantor, o CA Produções Artísticas, explicou ao G1 que a ação foi protocolada na tarde de quarta-feira (1º), no Fórum de Goiânia, em nome do pai do músico, José Reis de Araújo.

“Pedimos uma indenização para a família do cantor, a título de danos morais, em função dos transtornos causados pela exposição das imagens do corpo. Além do sofrimento que eles já enfrentavam, ainda tiveram que lidar com essa situação e ficaram consternados”, disse.

O vazamento de imagens do sertanejo aconteceu no último dia 24, quando o corpo era preparado para o sepultamento. Em uma das fotos divulgadas, o músico aparece com hematomas no rosto e, na outra, ele está com o terno que vestia quando foi enterrado. Já o vídeo mostra o processo de preparação do corpo.

Em nota enviada a reportagem nesta quinta-feira (2), a Clínica Oeste reafirmou que “lamenta profundamente a divulgação de imagens do corpo do cantor Cristiano Araújo e que a família e os fãs do artista tenham de passar por essa situação”. O estabelecimento informou que ainda não foi notificado da ação, “mas tão logo seja, tomará todas as providências para apresentar à Justiça seu posicionamento”.

Já a Funerária Paz Eterna informou, em nota, que ainda não foi notificada sobre a ação. “Se assim for, vamos apresentar a nossa defesa no momento adequado”, diz o texto assinado por Haendel Bittes, sócio da empresa.

A defesa do cantor preferiu não citar valores pedidos a título de indenização e não revelou o nome da seguradora que também figura na ação. Segundo Amelina, algumas documentações em relação à companhia ainda estão sendo anexadas ao processo.

Investigação

A Polícia Civil investigou o caso e indiciou três pessoas pelo crime de vilipêndio de cadáver (desrespeito ao corpo), que tem pena prevista de 1 a 3 anos de prisão. São eles: os técnicos em tanatopraxia (procedimento de retirada dos fluídos do corpo para o enterro) Marco Antônio Ramos, de 41 anos, e Márcia Valéria dos Santos, de 39, que foram demitidos da Clínica Oeste por justa causa, e o estudante de enfermagem Leandro Almeida Martins, de 24, apontado como o responsável por disseminar os vídeos e fotos.

De acordo com o delegado Eli José de Oliveira, responsável pelo caso, Márcia foi quem gravou o momento em que o corpo do cantor era preparado por Marco, indiciado pelo fato de não ter impedido a colega. Em seguida, a mulher enviou o vídeo a Leandro, que estuda na mesma universidade que ela. O jovem, por sua vez, repassou o material para duas tias, de 39 e 40 anos.

Oliveira explicou que as tias não foram indiciadas, pois alegam que ficaram horrorizadas e excluíram o arquivo antes que terminassem de ver. No entanto, os celulares delas passam por perícia. “[O procedimento] vai confirmar essa versão de que não enviaram a gravação, que foi feita de forma desrespeitosa e humilhante. Se algo for comprovado, mesmo após a conclusão do inquérito, elas poderão ser indiciadas”, disse.

O delegado ressaltou, ainda, que não há prazo para que o laudo da perícia dos celulares fique pronto. Já o inquérito foi encaminhado ao Poder Judiciário na quarta-feira.

A advogada da família do cantor destacou que a culpa dos indiciados “é incontroversa” e que a defesa ainda aguarda dos desdobramentos do caso na esfera criminal. “Agora que houve a conclusão do inquérito, vamos acompanhar para ver como o caso será tratado na Justiça e aguardar o momento oportuno para entrar com alguma medida contra essas pessoas”, disse.

Exclusão da web

Com base em denúncias de internautas, o site de buscas Google informou que já começou a remover os vídeos que mostram a preparação para o velório do corpo do cantor.  A Justiça determinou a retirada de todas as imagens do corpo do cantor tanto do Google quanto do Facebook.

O site de buscas informou por meio de nota, enviada no último dia 29, que já foi notificado, mas diz ser “necessário que qualquer ordem judicial para remoção de conteúdo especifique as URLs [endereços das páginas] dos conteúdos a serem removidos”.

O comunicado adiantou ainda que algumas imagens do caso já foram excluídas. “Em paralelo, o Google já removeu diversos vídeos do caso em questão que foram indicados por usuários como violações dos termos de uso e das políticas do YouTube”, disse.

A assessoria do Tribunal de Justiça de Goiás explicou que, para questionar a decisão, o departamento jurídico do Google precisa interpor um recurso. Dessa forma, no segundo grau, seria analisada a justificativa da empresa, quanto a necessidade da especificação dos links a serem removidos.

A reportegem tentou novo contato com a assessoria na manhã desta quinta-feira (2) para saber se houve o recurso, mas não houve retorno até a publicação desta reportagem.

Já o Facebook afirmou que não comenta casos específicos.

Jornal Midiamax