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‘Não necessito de blindagem’, diz Cunha sobre CPI da Petrobras

Comissão não votou convocação de pessoas que poderiam incriminá-lo

Clayton Neves Publicado em 12/06/2015, às 16h35

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Comissão não votou convocação de pessoas que poderiam incriminá-lo

O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), rebateu nesta sexta-feira (12) as críticas de que estaria sendo blindado na CPI da Petrobras e disse que não precisa da blindagem “de quem quer que seja”.

Na sessão de quinta (10), sob protestos de deputados do PSOL, PT, PPS e PSB, a comissão deixou de votar requerimentos de pessoas acusadas de envolvimento no esquema de corrupção da estatal com potencial para incriminar o PMDB e Cunha, que são alvo de investigação da operação Lava Jato.

“Não necessito de blindagem de quem quer que seja, convoquem quem quiser convocar, eu já fui à CPI e volto quantas vezes quiserem. Então, não tenho nenhuma preocupação em relação a isso”, afirmou Cunha.

Entre os requerimentos aprovados pela CPI estão a convocação das duas filhas do doleiro Alberto Youssef, principal delator contra o peemedebista, da sua esposa e da sua irmã, além da quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico delas – o que, na avaliação de deputados nos bastidores, poderia ser interpretada como uma forma de pressionar Youssef.

Cunha disse, porém, que não sabia o que estava em votação. “Nem tomei conhecimento do que estava sendo votado, sequer estou preocupado com o que está sendo votado”, afirmou.
Em sua delação premiada, o doleiro afirmou que Cunha era um dos beneficiários das propinas pagas à Petrobras e que, por meio de aliados, apresentou requerimento na Câmara para pressionar uma das empresas a retomar os pagamentos.

A pauta da comissão foi elaborada pelo presidente da CPI, deputado Hugo Motta (PMDB-PB), que é aliado de Cunha. Diversos deputados, entre eles Ivan Valente (PSOL-SP), exigiram a votação de requerimentos para convocar o empresário e delator da Lava Jato Júlio Camargo, que cuidava do contrato apontado como fonte da propina para Cunha, e do ex-policial Jayme de Oliveira, conhecido como Jayme Careca, que teria entregado dinheiro a Cunha.

Motta negou haver qualquer tipo de blindagem. “Não vou admitir que eu seja mal julgado”, disse na quinta, antes de deixar a sessão no meio por conta de um compromisso em seu estado.

Responsável por continuar conduzindo a votação, o vice-presidente da CPI, Antônio Imbassahy (PSDB-BA), afirmou que os requerimentos “serão incluídos em uma outra oportunidade”.

No total, a CPI aprovou 140 requerimentos, a maior parte contrária ao PT, que incluem a convocação do presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, e acareações do ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, com delatores do esquema.

A aprovação em bloco se deu enquanto a sessão no plenário da Casa estava suspensa. Pouco depois, Cunha retomou as votações no plenário, o que, pelo regimento, impede que qualquer coisa seja votada nas comissões. Isso se deu justamente quando deputados defendiam aprovar requerimentos desfavoráveis a Cunha.

Nesta sexta, Cunha rechaçou as suspeitas de que houvesse alguma articulação neste sentido ou que houvesse alguma “sincronia”, como indicado pelo deputado Imbassahy. “Se houve sincronia, foi de nado. Eu não estou fazendo nado [sincronizado]”, disse em tom de ironia.

Ele ressaltou que suspendeu a sessão a pedido de deputadas, incluindo uma do PT, que queriam chegar a um acordo sobre a cota feminina na reforma política.

“Eu não entendi porque a CPI marcou na mesma hora da ordem do dia. Então, não é o plenário que vai se submeter às comissões, são as comissões que têm que se submeter ao plenário. É o contrário”, afirmou.

Jornal Midiamax