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Ministro dos Transportes diz que não tem mais dinheiro e obras vão parar

Na quarta-feira (30), o ministro dos Transportes desabafou

Diego Alves Publicado em 30/04/2015, às 19h50

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Na quarta-feira (30), o ministro dos Transportes desabafou

Na quarta-feira (30), o ministro dos Transportes desabafou que não tem mais dinheiro e que, por isso, muitas obras vão ficar paradas. O governo já estuda um novo pacote de concessões para estimular investimentos da iniciativa privada e aumentar o dinheiro em caixa.

Dessa vez o modelo de privatização deve dar prioridade ao valor que o governo vai arrecadar, e não preço baixo para o consumidor. O governo já tem estudos para esse modelo de concessões. A ideia é fazer com que a empresa vencedora pague para explorar serviços públicos, como ferrovias e portos.

Dinheiro ou a falta dele realmente é o grande problema. Problema até para falar no assunto. O ministro dos Transportes foi muito claro no depoimento que deu no Senado sobre a falta de recursos, mas depois recuou.

Para não ser questionado, o ministro dos Transportes se antecipou. Antônio Carlos Rodrigues disse aos senadores da comissão de infraestrutura que não teria muitas respostas a dar sobre obras e recursos disponíveis: “Eu nunca esperava chegar no início de maio sem saber o que que eu tenho de recursos. Eu estou acabando de pagar ainda dezembro e iniciando janeiro. Então, vai ter várias reclamações dos senhores. Está parando a obra tal, parou a obra tal. Parou sim. Eu não vim aqui, não tem cortina de fumaça, eu não posso esconder o que que está acontecendo no ministério”.

Mas na saída, questionado por jornalistas, negou que tenha falado em paralisação de obras: “Não, não, vocês que estão falando em obra paralisada. Eu por momento nenhum falei, falei que vou ter um novo cronograma dependendo do recurso financeiro que eu vou ter na mão”.

Enquanto no Senado o ministro dos Transportes reclamava de falta de dinheiro, na Câmara o ministro da Fazenda tentava convencer deputados sobre a importância do ajuste fiscal. “O governo está cortando na carne as suas despesas, porque tem que ser um esforço distribuído por todos na sociedade. Assim a gente chega à vitória, assim a gente volta ao caminho do crescimento”, disse Joaquim Levy.

O governo ainda estuda o tamanho dos cortes no orçamento deste ano. Em outra frente, o Palácio do Planalto quer anunciar uma agenda positiva de investimentos em projetos de infraestrutura. A equipe econômica pretende anunciar nos próximos dias os novos trechos de rodovias, ferrovias e aeroportos que serão concedidos à iniciativa privada.

Uma das ideias em estudo é mudar o atual modelo de concessão para que a empresa vencedora pague para ter direito de explorar serviços públicos. Seria uma forma de garantir a entrada mais rapidamente de dinheiro nos cofres públicos.

Já estão definidos que os aeroportos de Salvador, Florianópolis e Porto Alegre serão os próximos privatizados. Ao todo, 17 novos trechos de rodovias nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste também devem entrar na lista, fora as ferrovias que o governo ainda estuda como tornar atrativas para investidores.

Em nota, o ministro dos Transportes esclareceu que, mesmo com restrições por causa do ajuste fiscal e do atraso no orçamento de 2015, as obras estão em andamento e terão continuidade. Apenas os cronogramas vão ser adequados.

Jornal Midiamax