Brasil

Levy é cercado por manifestantes ao chegar ao Ministério da Fazenda

Durante cerca de 20 minutos, ministro foi impedido de entrar no prédio

Gerciane Alves Publicado em 19/05/2015, às 13h40

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Durante cerca de 20 minutos, ministro foi impedido de entrar no prédio

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, foi cercado por manifestantes ligados à Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar ao chegar ao prédio do ministério na manhã desta terça-feira (19). Ele foi impedido por cerca de 20 minutos de entrar no ministério. Durante a confusão, mais um vidro do edifício foi quebrado – outros haviam sido estilhaçados mais cedo.

Os manifestantes reivindicam melhorias para o meio rural, como a implantação de programas de incentivo para mulheres e jovens do campo e garantia de água para consumo e produção de alimentos. O grupo invadiu o prédio no início da manhã. Eles quebraram vidros do térreo, subiram a vários andares e colocaram faixas nas janelas.

O ministro passou a maior parte do tempo em silêncio, mas chegou a dizer a manifestantes que as reivindicações deveriam ser tratadas com o Ministério do Desenvolvimento Agrário. Levy afirmou que poderia conversar com o grupo, mas teria de ter uma orientação a respeito da Presidência da República.

Depois de entrar no prédio, ele se reuniu com funcionários do ministério e com um pequeno grupo de manifestantes. O teor da conversa não havia sido divulgado até a publicação desta reportagem.

Os manifestantes começaram a deixar o local após representantes do grupo serem recebidos pelo ministro. Uma reunião foi marcada para as 11h30 no Ministério do Desenvolvimento Agrário, com o ministro da pasta, Patrus Ananias, e Levy.

Invasão

Os manifestantes já haviam impedido a entrada de funcionários do ministério no início da manhã. no início da manhã. A entrada dos servidores foi impedida. Equipes do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar acompanharam o protesto. A estimativa da corporação era de que h ouvesse 500 pessoas no local.

O coordenador da federação, Marcos Rochinski, afirmou que o prédio só seria desocupado depois que houvesse alguma resposta ou negociação com o governo. “Ontem nós queríamos chamar a atenção para a nossa pauta. Estamos negociando há vários dias e não temos encontrado respostas do governo em questão orçamentária.”

“O Ministério da Fazenda é o centro de tudo isso. Desde a semana passada temos a expectativa de sermos recebidos pela presidente, mas a agenda tem sido prorrogada e sem nenhuma posição mais concreta, então vamos forçar essa negociação com o governo”, completou.

A secretária-geral da federação, Josana Lima, estima que 1,5 mil agricultores estejam ocupando todos os andares do prédio. O coordenador de Juventude do movimento, Alri Junior, disse que o ato é uma forma de dar um recado para o governo federal. “Esse corte fiscal baixar pode atingir a agricultura familiar, que precisa permanecer no campo para produzir cada vez mais alimentos para esse país (sic)”, declarou.

Segundo ele, os trabalhadores que ocuparam o prédio não têm a intenção de depredar o patrimônio. “Não estamos aqui para depredar o patrimônio público. Queremos zelar pelos direitos dos trabalhadores”, afirmou.

Funcionário do ministério, o garçom Rafael Alves contou que chegou para trabalhar às 6h30 e se surpreendeu com a invasão. “Quando cheguei, o prédio estava invadido. Quebraram o vidro da entrada com uma marreta, uma zona.”

Ele afirmou que os funcionários não foram avisados da ocupação. “Chegamos aqui e fomos pegos de surpresa. Estamos aguardando [do lado de] fora para ver o que vai acontecer.”

Protesto anterior

A atividade integra a 11ª Jornada de Lutas, que termina na quarta. O grupo é o mesmo que bloqueou por quatro horas as BRs 020, 060 e 080 nesta segunda (18). Eles queimaram pneus para impedir a passagem de veículos e interditaram os dois sentidos das rodovias, que dão acesso a Brasília.

Na BR-020, na altura de Formosa (GO), o congestionamento chegou a cinco quilômetros nesta segunda (18). Havia cem pessoas no protesto, de acordo com a Polícia Rodoviária Federal. A corporação não tinha dados sobre a lentidão e a quantidade de participantes nos outros pontos de bloqueio.

Jornal Midiamax