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Favorito à Presidência da Câmara é citado nas investigações da PF e do MP

Se for eleito, cargo permite a interferência nos processos de cassação de mandato

Clayton Neves Publicado em 09/01/2015, às 20h25

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Se for eleito, cargo permite a interferência nos processos de cassação de mandato

Apontado pelo doleiro Alberto Youssef como um dos beneficiários do esquema de pagamento de propina com recursos da Petrobras, o líder do PMDB, Eduardo Cunha (RJ), pode comandar a Câmara dos Deputados, caso se confirme como o favorito dos parlamentares na eleição para a Mesa Diretora em fevereiro, em meio a investigações contra ele e cinco colegas. Além das apurações da Polícia Federal e do Ministério Público, o PSol, responsável pelo pedido de abertura de processo contra os deputados Luiz Argôlo (SDD-BA) e André Vargas (sem partido), no âmbito do Legislativo, se reúne nos próximos dias para avaliar a possibilidade de requerer contra os seis congressistas citados na Operação Lava-Jato.

Argôlo escapou da cassação depois de manobras protelatórias com o apoio de correligionários. Já André Vargas perdeu o mandato em dezembro. Os deputados seguiram o parecer do relator, Júlio Delgado (PSB-MG), que apontou quebra de decoro parlamentar do ex-petista por ter atuado na intermediação perante o Ministério da Saúde em favor do laboratório Labogen, de Youssef, preso em março por participação em esquema de lavagem de dinheiro. O mesmo doleiro, de acordo com o jornal O Estado de S.Paulo, disse que o lobista Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano, intermediava a entrega de propina também a Cunha. O peemedebista nega as acusações.

Além de Cunha, cinco parlamentares reeleitos foram citados na investigação do esquema. Em acordo de delação premiada, o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa listou os nomes de Vander Loubet (PT-MS), Nelson Meurer (PP-PR), Simão Sessim (PP-RJ), Luiz Fernando Faria (PP-MG) e José Otavio Germano (PP-RS). Segundo o líder do PSol na Câmara, Ivan Valente (SP), o partido vai avaliar a apresentação de pedidos de investigação contra todos. “Em reunião da bancada, vamos ver se há elementos suficientes para pedir a apuração. A denúncia contra Cunha é muito grave”, diz.

As denúncias contra Cunha, no entanto, não afetaram o apoio do PMDB, PTB, PSC, SD e DEM à sua candidatura para a Presidência da Câmara. “As justificativas dele foram bastante claras. A bancada está unida na adesão a ele”, garante o líder do PTB, Jovair Arantes (GO). O peemedebista Lúcio Vieira Lima (BA) afirma que as últimas notícias não afetaram “em um milímetro sequer” o apoio da legenda a Cunha. O candidato diz que tem “absoluta convicção” de que as informações de Youssef são falsas. Ele afirma que conhece Fernando Baiano, uma vez que o lobista era representante de uma empresa espanhola e, nessa condição, já visitou seu escritório. Ele nega qualquer outra ligação com o investigado. 

Jornal Midiamax