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‘Era fácil’, diz delator sobre repasse de propinas a diretores da Petrobras

Vice-presidente da Camargo Corrêa cita 'má qualidade dos contratos'

Gerciane Alves Publicado em 18/04/2015, às 16h18

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Vice-presidente da Camargo Corrêa cita ‘má qualidade dos contratos’

O vice-presidente da empreiteira Camargo Corrêa, Eduardo Hermelino Leite, afirmou em depoimento ao MPF (Ministério Público Federal) que era fácil inserir o valor das propinas pagas a diretores da Petrobras nos contratos firmados entre as duas empresas.

Leite disse, por meio de acordo de delação premiada, que “a má qualidade da orçamentação da Petrobras” possibilitava a inclusão das propinas nas propostas apresentadas pela empreiteira em certames para obras na Petrobras.

Os custos das propinas, tanto para a Diretoria de Abastecimento como para a Diretoria de Serviços, representavam 1% do valor contratado e eram explicitados nos documentos como reservas para riscos financeiros, como variação de preços dos materiais, atrasos de pagamentos ou possíveis greves.

Leite ressaltou que a Petrobras fazia orçamentos imprecisos, o que gerava um sobrecusto a ser discutido entre as partes. Ele exemplificou que, se o custo de certo equipamento era de R$ 1 mil, com o risco ele passaria a ser orçado a R$ 1.010 – era desta quantia que o valor da propina era retirado.

Por falta de detalhamentos nos projetos, a Petrobras aceitava variação de até 20% a mais no valor previsto para a realização das obras. Má contratação, curto tempo para a execução e “afobação” são alguns erros descritos pelo delator.

O vice-presidente da empreiteira afirmou acreditar que os erros não eram intencionais por parte da estatal. Para ele, o processo de contratação de empreiteiras era apenas “mal feito”.

Segundo Leitre, a Camargo Corrêa pagou R$ 110 milhões em propinas para abastecer o esquema de corrupção. Do total, R$ 63 milhões foram destinados para a área de Serviços da Petrobras, comandada à época por Renato Duque e Pedro Barusco, e outros R$ 47 milhões foram para a Diretoria de Abastecimento, comandada por Paulo Roberto Costa.

Ainda de acordo com o vice-presidente da empresa, os pagamentos se faziam necessários porque a Camargo Corrêa corria o risco de não receber os valores contratados com a Petrobras ou mesmo quantias de contratos aditivos que fossem realmente necessários.

O advogado de Eduardo Leite foi procurado pela reportagem, mas informou que não vai se manifestar sobre as declarações que seu cliente deu ao MPF.

Jornal Midiamax