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Caixa Econômica aumenta os juros para o financiamento de imóveis

Empréstimos feitos com FGTS estão livres do reajuste da Caixa Econômica

Gerciane Alves Publicado em 16/01/2015, às 10h55

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Empréstimos feitos com FGTS estão livres do reajuste da Caixa Econômica

A Caixa Econômica Federal aumentou os juros para o financiamento de imóveis. A mudança vale a partir de segunda-feira (19) e atinge os contratos com recursos da poupança.

Os financiamentos com recursos da poupança formam o segundo maior grupo de contratos, na Caixa Econômica. No ano passado, até setembro, foram quase 230 mil. Menor apenas que as contratações do Programa Minha Casa Minha Vida, que não vai sofrer nenhuma alteração.

As novas taxas vão valer apenas para financiamentos novos, para quem tiver renda bruta familiar de mais de R$ 5,4 mil e queira comprar um imóvel acima de R$ 190 mil em regiões metropolitanas.

O banco faz uma divisão partindo do valor do imóvel. Para imóveis até R$ 750 mil, as novas taxas variam de 8,5% a 9,15% ao ano. Para imóveis de valor maior que R$ 750 mil, os novos juros variam de 10,2% a 11%. As taxas variam de acordo com dados do comprador. Por exemplo, se ele tem conta salário ou é servidor público.

A Caixa tem cerca de 70% dos financiamentos imobiliários no país. A justificativa do banco é o aumento da taxa básica de juros da economia, a Selic.  Alega também que as taxas dos empréstimos estavam defasadas em comparação com as dos bancos privados.

Analistas de mercado avaliam que a mudança é mais um sinal da gestão da nova equipe econômica. A leitura que fazem é que, agora, o governo quer alinhar a política de preços dos bancos públicos com o mercado.

“Não estava no radar de ninguém, mas faz todo o sentido no conjunto da obra de você praticar preços. É mais coerente com o mercado evitar subsídios. Então, em um contexto de que as taxas de juros estão subindo, faz todo o sentido que as taxas de financiamento subam também”, aponta Celso Toledo, economista da consultoria LCA.

Quem é atingido pelo reajuste?

As novas taxas atingem uma das faixas de preço mais procuradas para financiamento.  O economista Samy Dana fez a conta para a gente.

Nós simulamos o financiamento de um imóvel de R$ 800 mil, em 35 anos e, supondo que o comprador deu 30% do valor de entrada, que é uma porcentagem comum nessa faixa de imóvel.

Nós usamos ainda como referência a taxa de balcão, que é aquela pra quem não tem conta no banco. A gente quer saber, com as novas taxas, quanto esse imóvel vai custar a mais lá no fim das parcelas.

Com a taxa antiga, de 9,2%, a primeira parcela era de R$ 5.455 e a última de R$ 1.343. No final do financiamento, o comprador teria pago um total de R$ 1,667 milhão.

Com a taxa nova de 11%, a primeira parcela sobe para R$ 6.224. O total pago fica em quase R$ 1,83 milhão, R$ 162 mil mais caro do que com a taxa antiga.

Como estamos falando de contratos longos, o economista recomenda calma ao comprador.

“Procure um imóvel que está dentro do orçamento. Também, as pessoas querem comprar tudo agora e a qualquer preço. Desconfie. Se você acha que está caro, não compre. Espere um negócio que você considere bom”, recomenda o economista Samy Dana.

Para o sindicato da construção, não há espaço para queda generalizada no preço dos imóveis. Mas admite que dá para negociar o valor daqueles na faixa dos R$ 750 mil.

“A única situação que pode haver uma mudança é quando o preço está muito próximo dos R$ 750 e você abaixar o limite dos R$ 750 pode significar um salto muito grande na taxa de juros. Isso sim podem acontecer ajustes desse tipo”. diz Cláudio Bernardes, presidente do Secovi-SP.

Jornal Midiamax