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Bebês de sexos diferentes são trocados em maternidade chique de São Paulo

Segundo a mãe de um dos bebês, o fato aconteceu na tarde desta quarta-feira na Maternidade Santa Joana, na capital paulista

Midiamax Publicado em 01/05/2015, às 12h42

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Segundo a mãe de um dos bebês, o fato aconteceu na tarde desta quarta-feira na Maternidade Santa Joana, na capital paulista

Dois bebês foram trocados no Hospital e Maternidade Santa Joana na tarde desta quarta-feira (29), em São Paulo. Ao retornar para o quarto do hospital após o parto de sua filha, Ana Paula Silveira foi informada de que sua filha, Alice, chegaria logo em seguida. Mas não foi bem isso o que aconteceu. A enfermeira trouxe a criança apenas três horas depois. O pai estranhou a demora e analisou detalhadamente a recém-nascida, antes de pedir que a funcionária do hospital a despisse. “Daí veio a grande surpresa. O bebê não era a Alice, mas era um menino!”, contou a mãe, em seu perfil no Facebook. 

Desesperados, os dois começaram a questionar onde estava a filha verdadeira deles. “Foram minutos de terror”, descreveu Ana Paula. Pouco tempo depois, uma outra mulher apareceu na porta e disse que o bebê da irmã dela havia sido trocado por uma menina. “Ligamos os fatos. Ela trouxe a minha princesa que estava com as roupas do bebê menino e com as pulseiras no nome de outra pessoa!”, disse a mãe. Ela e o pai da criança, Victor Hugo Paulino, devem tomar providências jurídicas contra o hospital, de acordo com informações divulgadas por Ana Paula em sua página na rede social. “Estou indignada por um hospital do porte do Santa Joana cometer um erro gravíssimo como este. E se no calor de tudo acontecesse o pior? Estamos aguardando providências deste hospital e não recomendamos a mais ninguém!”, escreveu a mãe. “O hospital agora vai ter de responder por profissionais incompetentes!”, completou.

Em uma outra publicação, Ana Paula postou uma foto do bebê que recebeu no quarto, com as roupinhas que havia escolhido para Alice. Na foto, a fralda aberta mostra que o bebê era um menino. Ela também publicou uma imagem da filha Alice no outro quarto, vestida com as roupinhas que a mãe do menino havia escolhido para o filho. “Coisas que pensamos que NUNCA aconteceriam conosco… Minha bebê trocada na maternidade Santa Joana”, colocou a mãe, na legenda.

CRESCER tentou entrar em contato com os pais, Ana Paula e Victor Hugo, mas até o momento da publicação desta reportagem não obteve resposta. Por telefone, às 16h25, a reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa do Santa Joana. Às 16h44, a assessoria confirmou à CRESCER que a troca aconteceu.

Uma hora e meia mais tarde, a assessoria do hospital entrou em contato com a CRESCER “nem negando nem confirmando” o ocorrido relatado e enviou a nota: “O Hospital e Maternidade Santa Joana informa que instalou um comitê interno para acompanhar a apuração dos fatos relatados. Ao mesmo tempo, o Hospital esclarece que conta com tecnologia avançada de controle neonatal e materno. Pelos procedimentos-padrões e recursos tecnológicos da Maternidade, não seria possível que este evento confirmasse. Portanto, pelas normas de segurança em vigor na instituição é impossível que uma criança saia do Hospital sem a presença de sua mãe biológica.

ATUALIZAÇÃO – “Pedimos um teste de DNA”, conta o pai, em entrevista à CRESCER
Às 18h25, conseguimos entrar em contato com o pai de Alice, Victor Hugo, enquanto ele entrava na delegacia para fazer um boletim de ocorrência sobre o caso. Ele confirmou à reportagem que os bebês foram trocados. “A família no quarto à frente já estava desconfiada de que havia algo errado. Uma das pessoas ficou em frente ao berçário o tempo todo e perceberam uma movimentação estranha. Eles repararam que a criança não se parecia com a que eles tinham visto nascer”, explicou. Segundo o relato de Victor, os vizinhos de quarto vieram perguntar se estava tudo bem com a filha deles e ele respondeu que não sabia de nada, pois o bebê ainda não havia chegado. Depois do alerta, o pai foi até o berçário e viu que o nome da filha estava errado e questionou a enfermagem que o tranquilizou porque poderia ser o nome da criança que ocupava o berço antes. “Fiquei tranquilo. Achei que dificilmente haveria uma troca”, afirmou.

No entanto, depois de esperar uma hora no quarto, o bebê não chegava. Ele, então, desceu novamente até o berçário e optou por ficar em frente ao vidro, aguardando a subida do bebê para o apartamento. Quando a equipe liberou a criança, ele voltou para o quarto junto. O momento coincidiu também com a chegada do bebê do quarto vizinho. Segundo Victor, a família continuava desconfiada de uma troca e o alertou para que ele conferisse se o bebê era mesmo a filha dele e de Ana Paula. “Eu pedi para a enfermeira abrir a roupa e tirar a fralda. Quando ela fez isso, vimos que era um menino. Era um menino e estava com a roupa e com a identificação da minha filha”, contou o pai. “Trocaram as pulseiras das crianças na enfermagem, algo que não poderia ter acontecido. O que o hospital me disse é que foi um erro humano e que colocaram os prontuários invertidos e, depois, quando perceberam que havia algo errado, em vez de conferir, inverteram as pulseirinhas”, afirmou. “A única jusitifcativa era que tinha sido um dia corrido e aconteceu numa troca de turno. Mas, para mim, não importa nada disso, não é do meu interesse. Isso é problema deles. Minha filha nasceu no Hospital Santa Joana. Não foi no turno da manhã ou no turno da tarde. É responsabilidade deles. Foi uma falta de respeito”, disse.

Victor contou ainda que pediu ao hospital uma comprovação para se certificar de que os bebês estão mesmo com as famílias certas. “Hoje de manhã, eu não estava no quarto, mas minha esposa foi recebida por um pessoal que coletou o sangue para fazer exame de DNA.”

Ana Paula continua no hospital e a previsão de alta é sexta-feira (1) ou sábado (2). A família solicitou que a equipe de enfermagem não retire mais a criança do quarto, como é de costume que façam sempre à meia-noite, como informou o pai da criança.

Victor contou ainda que vai abrir queixa porque sua preocupação é que algo parecido ocorra de novo. “Precisa ser investigado”.

Jornal Midiamax