Brasil

Apedrejada diz que Oxalá é quem deve perdoar agressores

A família de Kayllane lançou um abaixo-assinado

Diego Alves Publicado em 22/06/2015, às 03h01

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A família de Kayllane lançou um abaixo-assinado

A menina Kayllane Campos, 11 anos, atingida na testa por uma pedra no último dia 14 ao sair de um culto do candomblé, participou hoje (21) de ato contra a intolerância religiosa, na Vila da Penha, bairro da zona norte da cidade. Ela disse ter ficado muito agradecida pelas diversas manifestações de solidariedade e pediu que seus agressores parem com atitudes preconceituosas.

Acompanhada da mãe Karina Coelho e da avó Kátia Marinho, conhecida no candomblé como mãe Kátia de Lufan, a menina disse que não é ela quem precisa perdoar os agressores. “Quem tem que perdoar não sou eu, é o meu pai Oxalá.” A menina disse que, depois do episódio, tem mais certeza de sua religião.

A família de Kayllane lançou um abaixo-assinado, no último dia 19, na plataforma Change.org, na internet, pela defesa da liberdade religiosa A meninda espera chegar a um número suficiente de assinaturas para garantir a organização de uma campanha nacional sobre o tema.

Diante da adesão de múltiplos credos à manifestação, a avó da menina, Kátia Marinho, disse que a agressão sofrida pela neta veio “provar que todos nós somos irmãos, cada um na sua fé”. “Eu respeito a [religião] de todo mundo e exijo respeito à minha”, destacou.

O exemplo de respeito a religiões é dado pela própria família de Kayllane, cuja mãe abandonou o candomblé, onde foi criada, e se converteu à igreja evangélica há um ano. “O avô dela é católico”, lembrou Kátia. “Você tem a opção de escolher o que quer seguir, o que quer ser”, disse.

Jornal Midiamax